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Introdução: A real história da música árabe no
Brasil e seus anti-históricos.
Durante vários anos, a história originária da
música árabe e de seus renomados pioneiros no
Brasil permaceu obscura e esquecida. A aparente
ausência de registros que demonstrassem tal
notoriedade histórica, ensejou e ainda enseja o
aparecimento de inúmeras pseudocontrovérsias
sobre o tema.
A divulgação
de inúmeros falsos relatos paralelos,
denominados de "anti-históricos" da
música árabe no Brasil, recheados, sempre, de um
desejo monopolista, passou a atentar diretamente
contra a Memória da Cultura Musical Árabe em
nosso País, distorcendo completamente a correta
narrativa dos fatos reais, apagando importantes
nomes e, por consequência, induzindo muitos a um
equívoco conhecimento.
Criados pelo oportunismo ou, talvez, pelo
simples desconhecimento e valendo-se
tristemente,ainda, do aval de muitos frente a
simples amizade, tais anti-históricos carecem
plenamente de dados que estejam em consonância
com a verossimilidade e, principalmente, de
elementos substanciais comprobatórios de
autenticidade e credibilidade.
Através deste modesto e singelo tributo "in
memoriam" a Fuad Calil Haidamus, o
Pai do ritmo árabe no Brasil, que, com
muita honra, contou com a contribuição da
notável Bailarina e Mestra Shahrazad
Shahid Sharkey, Dama e Pioneira da Dança do
Ventre no Brasil, tentaremos resgatar de
forma inédita e autência a verdadeira
História da Música Árabe neste País,
proporcionando a todos uma breve viagem
aos tempos da implantação e difusão inicial da
arte musical árabe em território brasileiro.
O Período Pré-Pioneiro da Música Árabe
Profissional no
Brasil ( Nagib Mubarak, Nagib Hankach, Sheik
Nagib Zacharia e outros ).

Última derbake que
pertenceu a Fuad Haidamus - anos 90 |
Antes de adentramos aos fatos históricos
relacionados à vida e obra de Fuad Haidamus, o
pioneiro da percussão árabe no Brasil, falaremos
rapidamente de um período - também não menos
importante - a que denominamos "Período
Pré-Pioneiro. Este período pode ser
conceituado como o lapso de tempo que antecedeu
os trabalhos de implantação e difusão da
legítima música árabe profissional realizada pelos nossos
genuinos pioneiros neste país.
Sabemos que a musica árabe chegou até nós graças
à imigração árabe (maciçamente de libaneses),
que aqui vieram em busca de novas oportunidades.
Tudo teve início quando D.Pedro II, ao visitar
Damasco e Beirute, convidou a população para
imigrar para o Brasil.
Nesta época, a música árabe no Brasil - se é que
podemos assim denominar - ainda estaria numa
fase totalmente experiemental. O estilo
percussivo "Raks" não existia, sendo
desenvolvido mais
tarde por Fuad Haidamus. Como bem nos nos
ensinava o pioneiro da percussão árabe no
Brasil, muitos músicos árabes (e de origem
turca) aqui estiveram (amadores e, também,
profissionais),
por vezes a convite feito pela própria Colônia
Árabe de São Paulo, ainda, claro, em histórica
formação. Esses músicos, profissionais e
amadores, aqui permaneciam por um tempo, se
apresentavam geralmente nos clubes árabes e
teatros e, posteriormente, retornavam a seus
paises de origem. Era um fluxo de difícil
precisão. Nessa época destaca-se o Clube Homs,
fundado em 1920 e destinado à realização de
alguns eventos musicais exclusivamente voltados à
comunidade árabe paulistana.
Motivos para aqui estarem não faltavam. O fator
mais importante, acreditamos, era buscar
distancianciamento provisório ou temporário da
crise social e política enfrentada por Damasco e
demais áreas próximas - que, também, incluia o
Libano. Essa crise, marcada pelos conflitos
armados ocorridos na região do Monte Líbano,
resultou em muitas perdas humanas.
Assim, nesse emaranhado de idas e vindas, que
dirimiu significativamente no final da década
dos anos 50 - quando Damasco e região entraríam
num tempo de paz -, cabe a nós registrarmos a
existêcia neste país do maestro e alaudista de
origem turca Alexander Sunatti, cujo
trabalho, possivelmente, precedeu até mesmo aos
dos nossos antigos alaudistas árabes.
Curiosamente, Alexander Sunatti, nome importante
da música turca brasileira, fora
professor do alaudista libanes Jorge Aidamus,
irmão mais novo de Fuad Haidamus.
Consta ainda que Sunatti teria se unido a outros
músicos (árabes e/ou não árabes da época) e, ao
lado dessas pessoas, fundado um conjunto
amador
turco-árabe de músicas orientais (com
características nítidas de um ensemble turco
clássico). Haidamus, contudo, dizia
que nessa época havia muita descaracterização e, é por essa razão, a música árabe
não conseguia alcançar a devida
profissionalização.
Dentre os feitos
realizados nesse período, podemos destacar
aqueles do no ano de 1930, onde Nagib
Mubarak, precedendo inclusive o pioneirismo
de Romeu Féres, o primeiro intérprete
profissional
de músicas árabes do Brasil, a título de
registro, gravou pela Odeon dois cantos sírios
típicos ( "Yalia" e "Yama Nuchuf" ) em
disco de 78 rpm. No mesmo ano, Sheik Nagib
Zacharia grava pela Arte-Fone, também a
título de registro, o solo de alaúde "Taksim Baiat".
Nota:
Até mesmo Fuad Haidamus,
a título de registro,
na década dos
anos 40, gravou disco de 78 rpm, contendo dois
cantos típicos árabes por ele interpretados .
Já em 1935, Fuad Haidamus inicia seus estudos de
percussão libanesa inspirando-se no
percussionista libanês Jamil Flewar - que também
esteve no Brasil - e, pouco tempo depois, como veremos
logo a seguir, neste país, se tornaria o primeiro e histórico
percussionista a formar ao lado do alaudista
Wadih Cury, o primeiro conjunto musical
tipicamente árabe e profissional deste país,
abrindo caminhos para essa nova arte.
Inicia-se, assim, de maneira progressiva, a
implantação oficial e difusão da música e
percussão árabes em terrítório brasileiro.
Fuad Haidamus (
*1920 (Líbano) - †2002 (Brasil) ) - Pioneiro da
percussão árabe no Brasil.
A
história inicial da Percussão Árabe no Brasil
muito se confunde com a história
do percussionista e Mestre
Fuad
Calil
Haidamus.
Nascido na República do Líbano em 1920, iniciou
seus estudos de percussão libanesa aos 15 anos
de idade, inspirando-se em seu Mestre e grande
percussionista libanês, Jamil Flewar.
Em pouco tempo, se tornou o grande mito da
percussão árabe no Brasil onde, seu trabalho
pioneiro em difundir a tão rica percussão árabe,
fora uma verdadeira mola propulsora no incentivo
ao aparecimento de mais e mais percussionistas
do mesmo gênero.
Como
percussionista oficial de Madeleine Iskandarian,
conhecida artisticamente como a notável
SHAHRAZAD
- Mestra e pioneira da Dança do Ventre no Brasil
- viajou por inúmeras cidades brasileiras
levando a todos parte dessa tão rica e nobre
Cultura Árabe.
Entre as décadas de 40, 50, 60, 70 e 80,
difundiu a percussão libanesa em todos os
recantos do Brasil, como: Cuiabá/MT, Manaus/ AM,
Belo Horizonte/MG, São José do Rio Preto/SP,
Monte Alto/SP, Belém/PA, Campinas/SP, Goiânia/GO
e em São Paulo/SP, onde se apresentou na tenda
árabe "Bier Maza", ao lado de ilustríssimos
músicos.
Produziu as primeiras Tablas Árabes no Brasil,
fornecendo para as mais conceituadas lojas de
instrumentos musicais deste país. Eram
produzidas em corpo de cerâmica marajoara (uma
das melhores cerâmicas do mundo) e pele de
cabrito advinda da região nordeste do Brasil.
Durante os anos que se apresentou, fora muito
requisitado para shows, programas de auditório,
novelas etc...
Pioneiro e eterno Mestre da Percussão Árabe,
Fuad Haidamus é o "Setrak Sarkissian do Brasil".
Enfermo, Haidamus faleceu na cidade de Santos,
Estado de São Paulo, aos 82 anos de idade, no
dia 24 de Janeiro de 2002.
Novelas, Shows e Programas de auditório.

1986 - Fuad Haidamus
entre os amigos músicos Emílio
Bunduki e Said Azar. |
Na década de 70, Fuad Haidamus participou de
inúmeros programas de auditório ao lado de
orquestras renomadas, como dos maestros Sílvio
Mazucca e Osmar Millani.
Ao contrário do que se acredita, a novela global
"O Clone" não fora a pioneira na difusão da
dança e da música árabes no Brasil. Fora , sim,
a novela em que tal difusão fora feita em maior
proporcionalidade.
Ocorre que em 1977, Fuad Haidamus fora convidado
a participar musicalmente de um dos capítulos da
novela global "O Astro" de Janete Clair, que
fora ao ar entre os anos de 1977 a 1978,
apresentando-se juntamente com seu irmão Jorge
Aidamus, em uma das festas patrocinadas pelo
inesquecível personagem Salomão Hayallah,
interpretado pelo ator Dionísio Azevedo.
Shahrazad também participara pioneiramente com
sua dança magistral. Eles tocaram na abertura de
um dos capítulos da novela. Fuad Haidamus e
Jorge Aidamus foram, portanto, os primeiros
músicos árabes a se apresentarem em uma novela
de televisão.
No final de 1979 e início de 1980, havia um
programa árabe de televisão denominado"Programa
Árabe na TV", (curiosamente
tinha como tema de abertura "A dança da cobra")
que era veiculado pela TV Gazeta. Tal programa
era exibido às 14:00 horas e tinha duração de
apenas 30 minutos. Fuad Haidamus por muitas
vezes ali se apresentou com seu conjunto.

1986 - Fuad Haidamus
toca ao lado do amigo Elias Almaza. |
Assim, Haidamus ( já então professor magistral
de Vitor Abud Hiar ) foi também o primeiro
Derbakkista a se apresentar em um programa de
televisão no Brasil.
Curiosamente, como lembra Vitor Abud Hiar, Fuad
Haidamus era destro mas tocava a Derbakke na
forma canhota; isso evidentemente não o impediu
de se tornar o maior derbakkista do Brasil. A
facilidade com que tocava Derbakke nesta posição
era algo surpreendente.
Consta que em uma de suas apresentações no
interior do Estado de São Paulo, levou o público
ao delírio em um de seus solos de percussão. A
derbakke de Fuad Haidamus falava à alma árabe.
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