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"A História da Música Árabe Profissional neste País contada através deste Tributo em homenagem a Fuad Haidamus, o Pioneiro da Percussão Árabe no Brasil"

Musica de Fundo:  "Hazih Leilati" Al Masseya Orchestra ( Original Recording )

 

 

Bier Maza: A Dança de Shahrazad e a Percussão de Fuad Haidamus.

 

No ano de 1979, Shahrazad Sharkey passou a se apresentar na tenda árabe "Bier Maza", ( famoso restaurante onde se encontrava toda a colônia árabe da cidade de São Paulo ) cantando e dançando o "Raks el Sharki".As noites na "Bier Maza" eram inesquecíveis, e fora inspiração no surgimento de inúmeros restaurantes árabes do mesmo gênero.

Havia nos anos 70, dois restaurantes em São Paulo que apresentavam shows de dança do ventre e música árabe ao vivo, eram eles: a tenda árabe "Bier Maza" e o restaurante Porta Aberta.

Eram freqüentados por toda a Colônia Árabe de São Paulo. Esses restaurantes tiveram uma grande importância na difusão da música e da dança árabe, principalmente a partir dos anos 80. Nesta respectiva época, muitos músicos e cantores novatos que começaram a surgir, ali passaram a se apresentar.

O intuito principal era tornarem-se conhecidos e, posteriormente, serem aprovados pela exigente Colônia; fato semelhante também ocorreu em relação a Dança do Ventre.

Na "Bier Maza", Shahrazad ( que sempre se apresentava com roupas suntuosas ) contava em suas apresentações com ilustres pioneiros da musicalidade árabe no Brasil. O conjuto de Wadih Cury ( Wadih Koury Orquestra Árabe ) , - conjunto este pioneiro da musica árabe no Brasil - em sua fase inicial, era composto por Alaúde, Derbakke e Daff.

Posteriormente, no final dos anos 70 e começo da década de 80, introduziu-se o Violino e o Mejwiz às apresentações. . Junto à seu instrumento, foi o primeiro músico a apresentar neste país uma composição musical árabe ao vivo.

Dentre os músicos que formavam o conjunto de Wadih Cury, destacava-se brilhantemente "o mestre dos tambores árabes do Brasil", Fuad Haidamus, que acompanhou com seu conjunto Shahrazad em sua turnê pelos Estados Brasileiros .

Como assim elucida Vitor Abud Hiar, o Alaúde, o Derbakke e o Daff, foram os instrumentos que "semearam" a música árabe neste país.

Sempre ao lado de Wadih Cury em suas apresentações pelo Brasil, Fuad Haidamus foi o primeiro percussionista árabe a apresentar um solo de Derbakke "ao vivo" para Dança do Ventre neste país. Shahrazad,além de ser pioneira da Dança do Ventre do Brasil, também foi a primeira cantora árabe profissional.

Fuad Haidamus também era alaudista e violinista, mas, evidentemente, sua primordial especialidade, era a percussão árabe.

 

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O "Derbakke Solo" de Fuad Haidamus - O Pai do estilo percussivo Raks no Brasil

Como já fora aludido anteriormente, Fuad Haidamus fora o primeiro percussionista árabe a tocar um "derbakke solo" (expressão primeiramente usada por ele) no Brasil.

Desenvolveu um estilo fabuloso e inconfundível especialmente criado para as apresentações de Shahrazad. Introduzia aos solos o "estalo", acompanhado das batias normais "Ká", "Tá" e "Dum".

Atualmente, percussionistas como os egipcios Khamis Henkesh e Mahmoud Fadl, apresentam geralmente na estrutura de seus solos o jogo de notas "Tá", "Ká", "Dum e o "pop concha".

Fuad Haidamus apresentava o "estalo" nas finalizações de cada frase, fornecendo ótimos subsídios à bailarina na sua apresentação.

Tinha como característica ainda mais marcante a firmeza com que executava os ritmos, figurando até hoje como o melhor ritmista árabe para Dança do Ventre que o Brasil já teve.

 

O conjunto de Wadih Cury (Wadih Cury Orquestra Árabe) - Primeiro conjunto árabe profissional do Brasil.

O conjunto de Wadih Cury, além de pioneiro da música árabe no Brasil, fora o melhor conjunto árabe deste país durante os anos em que se apresentou.

Era um conjunto de essência clássica e formal. Seus integrantes sempre impecavelmente trajados ( ternos ou smokings ), seguiam a mesma linha das orquestras árabes tradicionais da época.

Fizeram shows por todos os recantos do Brasil. Era o conjunto que sempre acompanhava Shahrazad em suas apresentações.

Já na década de 70, viajavam de avião, gravavam vídeos e faziam shows por vários Estados brasileiros, como, por exemplo, Goiás, Mato Grosso, Pará e São Paulo. Era um conjunto de grande dinamismo e carisma.

Segundo dados históricos, a difusão da música árabe no Brasil teve 3 grandes ícones: Wadih Cury ( pioneiro na formação do primeiro conjunto tipicamente árabe do Brasil ), Fuad Haidamus ( pioneiro da percussão) e Nabil Nagi ( mestre de alaúde e violinista árabe ). Shahrazad também foi a primeira cantora árabe profissional do Brasil.

Recordemos aqui do eminente cantor e regente Romeu Féres, que também era alaudista. Amigo de FuadHaidamus, fora o primeiro cantor árabe profissional deste País.

Dedicatória histórica em caracteres árabes de Wadih Cury, considerado um dos maiores alaudistas técnicos do Brasil, feita em homenagem ao seu Amigo e Companheiro Fuad Haidamus no verso de seu Lp Duplo "Canções de Folclore Árabe", produzido pela Continental.

Féres foi também pioneiro no lançamento dos primeiros Lp's árabes em homenagem à comunidade árabe no Brasil: Jóias Árabes e Tardes Orientais ( Para saber mais, leia o artigo "O Pioneirismo da discografia árabe no Brasil e seus músicos expoentes".

Curiosidade: "Wadih Cury e Romeu Féres foram seguramente os primeiros alaudistas conhecidos da música árabe no Brasil, porém, acredita-se que o mais remoto alaudista seja Nahat que, também, fora o primeiro fabricante do instrumento no Brasil. Nahat fora o professor de Romeu Féres".

A partir desses músicos pioneiros (Cury, Féres, Haidamus e Nagi), outros começaram a surgir, porém, somente na década dos anos 80.

Haidamus também se apresentou por várias vezes ao lado dos alaudistas Emílio Bunduki, (que também tocava percussão), Willian Bunduki e Said Azar, importantes precursores na difusão inicial da música árabe no Brasil na década dos anos 80.

Emílio Bunduki, como dissemos, também era percussionista e, quando não estava tocando alaúde, auxiliava Fuad Haidamus no Daff (Pandeiro ou Tamborim Árabe).

Willian Bunduki e seu conjunto, como assim era conhecido na década dos anos 70, era formado por: William Bunduki (Alaúde), Fuad Haidamus (Derbakke) e Kico ou Alex Bunduki (Percussão base).

Durante a década dos anos oitenta, Haidamus fez dupla com o alaudista Nabil Nagi. Fora uma das duplas mais duradouras e a mais famosa até então. Juntos, Haidamus e Nagi fizeram shows por muitos lugares no Brasil. Ely Almaza, outro alaudista da década dos 80, também se apresentou por várias vezes al lado de Haidamus.

O Alaudista Sírio e Grande Amigo Said Azar - responsável pelas homenagens finais realizadas a Fuad Haidamus.

Pode-se dizer que Nagi fora o alaudista que mais se destacou durante a década dos anos 80. Jovem e talentoso, é considerado o grande responsável no incentivo ao surgimento de novos músicos no Brasil. Lembramos que em 1984, Fuad Haidamus, já com idade um pouco avançada, deixava ser substituído por percussionistas mais jovens, principalmente nos solos que exigiam maior agilidade.

Dentre outros importantes nomes da música e da dança árabes que trabalharam ao lado de Haidamus, podemos citar o alaudista, cantor e compositor Said Azar - importante precursor na difusão da música árabe no Brasil - e o notável Bailarino libanês Atef Issa do Tradicional Grupo Folclórico Cedro do Líbano (históricamente o primeiro grupo de danças folclóricas libanesas do Brasil). Todos grandes amigos e companheiros de Haidamus em muitas apresentações nos mais diversificados Estados Brasileiros.

Foi o próprio Fuad Haidamus quem incentivou seu irmão mais novo, o alaudista Jorge Aidamus, professor de muitos outros músicos contemporâneos, a ingressar no mundo da arte musical.

Foram várias as bailarinas que trabalharam com Jorge Aidamus no restaurante Bier Maza - já na década de 80 - ,sendo todas consideradas auxiliadoras da pioneira Shahrazad na difusão da Dança do Ventre no Brasil.

Haidamus também foi o primeiro músico a cantar em uma emissora de rádio no Brasil. Na década dos anos 50,ainda muito jovem, cantou e tocou na antiga e famosa Rádio Clube de Santo André - SP, no primeiro programa árabe radiofônico da história do Brasil. Trataremos desse acontecimento histórico na terceira parte deste tributo.

O conjunto de Fuad Haidamus, nos tempos primórdios, era compostobasicamente por: um cantor, alaúde (geralmente o próprio alaudista cantava), derbakke (sempre Fuad Haidamus ), daff, violino e Mejwiz (em poucas ocasiões). Também era sempre acompanhado pelas primeiras bailarinas de dança do ventre no Brasil.

A primeira geração de bailarinas árabes do Brasil, segundo consta nos registros históricos, surgiu somente na década dos anos 70, e era formada por: Shahrazad Sharkey (pioneira, que trouxe a arte técnica para o Brasil ), Mileidy, Rita, Selma, Samira, Aziza, Sandra, Magda, Vera e Zeina, todas importantes precursoras na difusão da Dança do Ventre neste país.

Era, portanto, o conjunto de elite, formado apenas por músicos genuinamente profissionais. Ressaltamos que havia entretanto, muitos músicos e cantores iniciantes - curiosos - que espelhando-se em nomes profissionais como Haidamus, Bunduki, Cury e Nagi, passaram também a se apresentar na cidade de São Paulo, isso, porém, na década dos anos 80.

Cumpre aqui ressaltar que, na época, o nome do conjunto de músicos costumava seguir sempre o nome do alaudista integrante. Por exemplo: Conjunto de Nabeel Naji ( alaudista ) e Conjunto de Wadi Cury ( alaudista ). Era uma tradição, sem nenhuma conotação hierárquica.

Foto ao lado: Dedicatória do músico alaudista e percussionista Emílio Bunduki para seu amigo Fuad Haidamus feita em verso de foto.

 

Percussionista Fuad Haidamus - instrumentos musicais e objetos.

Como na época as viagens eram constantes, havia a necessidade de maior proteção para os instrumentos ( nãohavia,nessa época, derbakkes confeccionados em alumínio ). Fuad Haidamus idealizou o primeiro estojo para derbakke em formato caixa.

Modelo de Derbakke de Fuad Haidamus em terracota, confeccionado em 1981 para Vitor Abud Hiar.

Constituindo-se na melhor forma de proteção para o instrumento, chega a ser superior aos atuais estojos e capas comercializadas no Brasil e no mundo árabe atualmente. Com esta caixa ( foto abaixo à direta ), Fuad Haidamus e seu conjunto viajaram pelo Brasil. Trata-se de uma peça histórica da percussão árabe no Brasil.

Fuad Haidamus confeccionou dois estojos para Derbakke, sendo que o primeiro deles, após ter utilizado amplamente em seus inúmeros shows, presenteou Vitor Abud Hiar em 1979.

Apenas a título de curiosidade, Fuad Haidamus possuia, dentre sua coleção particular de instrumentos de percussão libanesa, uma Derbakke em fibra de vidro, material totamente diversificado das que são fabricadas atualmente ( barro, alumínio e madeira ).

Confeccionou também as primeiras Derbakkes em cerâmica e pele de cabra, e, posteriormente, em pele de peixe. Os instrumentos eram feitos de cerâmica de Belém do Pará. Seus derbakkes estiveram nas melhores casas de instrumentos musicais do Brasil.

No início dos anos 90, Fuad Haidamus ainda confeccionou algumas derbakkes, porém, em 1996, já com o encorpamento das importações comerciais e do surgimento das derbakkes em alumínio fundido (versão moderna ou contemporânea ), terminara definitivamente com essa atividade.

Haidamus, considerou a versão moderna da derbakke "um instrumento de excepcional sonoridade".

Fuad Haidamus também idealizou o suporte para lâmpada, que possibilitava ao percussionista manter a pele da derbakke sempre esticada e aquecida durante as apresentações. Vitor Abud Hiar, sob orientação do próprio Fuad Haidamus, confeccionou uma réplica de seu suporte, que até hoje utiliza na afinação de seus instrumentos.

Curiosidade: A expressão "Derbakkista", difundida neste site e bastante usada nos dias atuais, fora pela primeira vez utilizada no Brasil por Fuad Haidamus, principalmente em suas explicações a Vitor Abud Hiar.

 

Instrumentos e objetos históricos.

 

Derbakke de Fuad Haidamus - 1984

Derbakke em cerâmica confeccionada por Fuad Haidamus em 1983. Possui membrana em pele de cabrito originária da região nordeste do Brasil. Seu corpo é feito em cerâmica marajoara (PA). Instrumentos semelhantes a este foram postos à venda no Brasil ainda nos anos 70.

Fuad Haidamus, além de comercializar seus instrumentos para particulares da Comunidade Árabee fora dela, forneceu, também, alguns de seus instrumentos para algumas importantes lojas de instrumentos musicais de São Paulo.

Se hoje a Derbakke ainda é um instrumento muito pouco conhecido, na época dos anos 70 a situação era ainda mais acentuada. Este fora o primeiro primeiro modelo de Derbakke a ser tocado em shows tanto em São Paulo (Bier Maza e Porta Aberta ) como em todo o Brasil.

Devido a enorme fragilidade dos Derbakkes em corpo de cerâmica e as dificuldades na afinação, desenvolveram um modelo contemporâneo em corpo de alumínio e pele sintética, sendo a versão mais preferida para shows.

 

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Primeiro estojo em Madeira para Derbakke de Fuad Haidamus, confeccionado em 1969.

 Antigo estojo profissional para Derbake, idealizado e confeccionado por Fuad Haidamus em 1969 -70 (visão lateral).

É feito em madeira especial com revestimento interno de espuma de aproximadamente 3 cm de expessura.

O revestimento externo é feito em couro na cor vermelho vinho.

 Durante as viagens, o Derbakke podia ser facilmente transportado sem o perigo de sofrer impactos e se quebrar. Internamente é dotado de um sistema de engates de madeira e espuma, evitando que o instrumento se movimente.

Hoje, com o surgimento dos Derbakkes em corpo de alumínio fundido especial para shows, a necessidade de se ter um estojo de grande proteção tornou-se um fator sem muita importância.

Vitor Abud Hiar explica que mesmo as primeiras Derbakkes serem incrivelmente resistentes, a necessidade de um estojo dessa natureza era algo realmente indispensável. Todos os estojos para Derbakke de Fuad Haidamus foram para uso pessoal.

Esse estojo fora confeccionado por Fuad Haidamus em 1970, sendo o primeiro de todos eles. No ano de 1979, Fuad Haidamus presenteou Vitor Abud Hiar com seu primeiro estojo como incentivo aos seus estudos na percussão. Tal peça encontra-se até hoje na sua qualidade original.

 

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 Fios originais usados por Fuad Haidamus na confeccção de seus primeiros instrumentos musicais. Esses fios, feitos em seda pura de alta resistência, eram devidamente transpassados nas bordas da membrana de couro que era devidamente cortada e furada. Havia também na produção de um Derbakke a técnica da amarração.

A amarração mais comum usada por Fuad Haidamus era a no estilo ziguezague ( conhecida como amarração simples), mas havia outros tipos de amarrações bem mais complexas. Fuad Haidamus foi um grande mestre neste trabalho. Suas amarrações eram tão firmes que se tornava impossível mover os fios transpassados.Como Fuad Haidamus consequia imprimir tamanha pressão em suas amarrações, é algo que até hoje permanece como um grande enigma.

 

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Suporte para lâmpada de afinação.

 Sabemos que o célebre percussionista libanês Jamil Flewar, fora o primeiro percussionista a utilizar uma lâmpada para afinar seu Derbakke. Fuad Haidamus, por sua vez, desenvolveu um suporte especial para lâmpada de aquecimento, que tinha como objetivo manter a pele do instrumento sempre afinada durante as apresentações. A genialidade do suporte desenvolvido por Haidamus era tão grande, que mesmo estando no inteiror do instrumento não abafava a saída do som.

As Derbakkes em cerâmica não possuem tarraxas para afinação; o processo é feito por meio do emprego de calor que, tirando a umidade do couro, faz com que ele fique mais rijo. Na percussão árabe há duas formas de afinação: Por esticamento e por ressecamento.

Podemos dizer que as tablas modernas feitas em pele de nylon usam a afinação por esticamento. O calor da lâmpada colocada no interior do instrumento faz com que a umidade da membrana se evapore e, dessa forma, torne o couro mais firme.

O primeiro percussionista a usar esse tipo de afinação no mundo, como dissemos anteriormente, fora Jamil Flewar (professor de Haidamus), Antes disso, usava-se de praxe dois instrumentos durante os shows, ou seja, enquanto um era aquecido por meio objetos térmicos, tocava-se o outro. O uso da lâmpada, por sua vez, eliminou a necessidade de se ter o jogo dos dois instrumentos, pois o instrumento podia ser afinado no palco, mesmo em condições de uso.

Fuad Haidamus foi o primeiro músico percussionista a implantar e usar no Brasil esse tipo de afinação nos shows. O segundo a utilizar esse método fora Vitor Abud Hiar, que desenvolveu seu suporte sob orientação do próprio Fuad Haidamus, com engates de bronze presos à base de um soquete de lâmpada. O suporte à direita fora confeccionado entre os anos de 1978 e 1979.

 

 

 

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