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"Confira algumas interessantes dicas sobre Percussão Libanesa e outros temas pertinentes...".

 

 

A Doholla: Seu breve histórico no Brasil e outras curiosidades.

Original Doholla em cerâmica e pele de cabra: Melhor ressonância e extraordinário baixo profundo.

A primeira Doholla do Brasil que temos conhecimento, fora confeccionada pelo pioneiro Fuad Haidamus em meados de 1983. Fora feita em cerâmica e pele de cabrito colada. Esse instrumento não fora utilizado em shows ou gravações. Possuia porte pequeno e relativamente leve, porém, com uma abertura bocal considerável o que proporcionava um som relativamente grave.

A Doholla, principal instrumento de base na percussão libanesa, ainda é um instrumento bastante desconhecido no Brasil e, também, em muitos outros países da América Latina.  Já existem no mercado Dohollas modernizadas, ou seja, em corpo de alumínio e pele de nylon.

Existem muitas explicações que equivocadamente pregam que a Doholla é um instrumento igual ao Derbakke, porém, maior. Esse tipo de afirmação pode gerar um entendimento confuso. A Doholla se assemelha ao Derbakke, possuindo um diâmetro bocal bem superior.

Outra dica que também serve de alerta é a equívoca afirmação de que "atualmente, a Doholla é confeccionada em alumínio fundido e pele sintética". Atualmente, a Doholla é confeccionada ainda na sua versão tradicional, em cerâmica e pele de cabra e, também, numa versão moderna, em alumínio e pele sintética.

Uma outra questão importante é entendermos o sentido da expressão "baixo profundo". O que é isso exatamente ? Simples ! É o som ou a nota grave (baixo), que se diferencia nitidamente das demais notas graves tocadas (profundo). Dá-se certamente uma tridimensionalidade à percussão.

As Dohollas devem ser sempre afinadas ao máximo (assim como as Derbakkes) para a produção de uma vibração correta. É o diâmetro bocal que irá estabelecer o timbre grave e não uma pele mal afinada, que pode produzir um prolongamente demasiado na vibração.

Muitos confundem a Doholla com a Darbukka Extra Large (extraordinariamente grande) feita sob os moldes e estilo turco, com corpo mais afilado e parafusos de afinação expostos ao redor do aro. Vários percussionistas substituem a Doholla pelo Djembe - instrumento africano em madeira e pele de cabra ou antílope, que também possui um som bastante grave mas perceptivelmente diversificado do som de uma Doholla em cerâmica, por exemplo.

É certo que a produção desse instrumento no estilo tradicional dirimiu significativamente. Encontrar uma Doholla em cerâmica bem preparada, pele de cabra e em formato perfeito é algo muito raro, até mesmo nos países árabes. Sua confecção em alumínio é mais simplificada e fácil graças ao uso de fôrmas específicas.

É correta afirmação de que a Doholla de alumínio fundido é melhor que a sua versão tradicional em cerâmica e pele de cabra ? Bem, a Doholla em alumínio é, sem dúvida alguma, sinônimo de comodidade em muitos aspectos, mas perde significativamente em termo de qualidade sonora se comparada a sua versão tradicional. Vejamos o quadro abaixo:

 

Doholla em Alumínio e pele sintética (nylon)

 Doholla em cerâmica e pele de cabra

   
O corpo em alumínio a torna mais leve e resistente, sendo muito mais fácil o transporte. O corpo em cerâmica a torna bastante pesada, frágil e de difícil transporte.
   
Sua pele sintética não sofre influências climáticas, permanecendo afinada sempre. Sua pele sofre influências climáticas, necessitando de lâmpadas para se manter afinada.
   

Possui ressonância artificializada e estridente.

Possui excelente ressonância, suave a natural.
   
Seu "Dum" possui escala de profundidade pouco satisfatória devido aos materias usados na confecção desse instrumento. Seu corpo em cerâmica e a pele natural, favorece um excelente "Dum" (batida grave) com incríveis profundidades sonoras.
   

Ideal para shows.

Ideal para shows e gravações.

 

Devemos ter em mente que a Doholla é um instrumento de base e, por essa razão, é imprescindível que seu som seja grave o bastante para estabelecer um "cheio de fundo" conhecido nos melhores e mais diversificados solos de percussão.

Uma outra dica importante é saber como reconhecer a boa sonoridade desse instrumento. A vibração sonora do "Dum" precisa ser evidentemente grave mas não pode se estender demasiadamente ou, então, ser muito curta; o correto seria o meio termo. As Dohollas em alumínio apresentam, também, uma certa deficiência nesse sentido.

 

Dicas interessantes sobre como usar uma lâmpada para aquecer e afinar Derbakke ou Daff tradicional.

Muitos me perguntam se existe alguma lâmpada específica para ser utilizada na afinação dos Derbakkes tradicionais ou se podemos usar qualquer lâmpada incandescente.

Bem, para utilizarmos com segurança uma lâmpada para afinar Derbakke tradicional, ou seja, em pele animal, é necessário observamos alguns pontos importantes pois, se assim não for feito, danos ao instrumento poderá eventualmente acontecer.

Antes da utilização do suporte embutido, idealizado pelo pioneiro da percussão árabe no Brasil, que o possibilitava afinar o instrumento concomitantemente à apresentação, Fuad Haidamus utilizava duas Derbakkes, ou seja, enquanto utilizava um instrumento, o outro ficava na reserva afinando. Quando o instrumento que estava tocando perdia a afinação, geralmente após duas ou três músicas depedendo da umidade do ambiente, fazia-se a troca. Essa prática perdurou nos shows até a criação do suporte especial que era fixado no interior do instrumento.

A lâmpada não pode ser de grande potência ( no máximo 40 wats, dependendo do couro ). A evaporação da umidade contida no couro deve ser feita gradativamente. Lâmpadas que propagam grande calor podem queimar a membrana do instrumento.

O correto é manter a pele do instrumento em temperatura morna. O calor produzido deve ser facilmente suportável à nossa pele. A temperatura deve ser sempre, sempre agradável e facilmente tolerada.

O tempo que um instrumento leva para ficar totalmente afinado varia muito. Vai depender, evidentemente, da umidade do ar no momento, da grossura da membrana de couro, e do calor produzido para a evaporação dessa umidade. Em média dura 15 minutos, mas pode ultrapassar a marca de 30 minutos (em dias bem úmidos). Vale aqui lembrar que em dias de grande umidade (chuva), o couro nunca atingirá sua afinação máxima.

Secar pele de Daff com o secador de cabelos não nos parece uma boa idéia. O secador sopra vento quente mas úmido (umidade contida no ar). O couro continuará recebendo e absorvendo umidade (não atingirá a afinação máxima).

Ao contrário do que muitos acreditam, o Daff em pele de peixe possui sonoridade superior aos de pele de nylon, sendo o mais indicado para gravações.

Importante: No caso de Derbakke ou Daff em pele de peixe, optamos, em Stúdio, por um sistema mais seguro, onde há a possibilidade de se controlar melhor o calor propagado, evitando, assim, qualquer possibilidade de danos à membrana fina. Deixaremos a análise desse ponto para uma outra oportunidade.

Curiosamente, Fuad Haidamus usava  calor da lâmpada em Derbakkes revestidos de pele de bode. Lembremos sempre que quanto mais grossa for a pele utilizada, maior será a quantidade de umidade absorvida; mais difícil e prolongada será a evaporação dessa umidade.

Qualquer dúvida sobre esse tema, envie-nos seu e-mail.

 

Dicas importantes para a compra de instrumento de percussão árabe.

Todos sabemos que a percussão árabe é bastante complexa tanto em ritmos quanto na quantidade de instrumentos. Como se isso não bastasse, há também a problemática em relação aos nomes que identificam cada instrumento no mundo árabe.

Certa vez nos perguntaram se as Darbukas confeccionadas por indústrias de instrumentos musicais aqui no Brasil ou na América Latina são os mesmos instrumentos importados do Egito, Líbano e Síria. Bem, infelizmente não. Pela informação que temos, não existe nenhuma indústria de instrumentos musicais no Ocidente que produza uma genuína Derbakke, salvo a Meinl que produz darbukas turcas e derbakkes em alumínio fundido e revestimento de vinyl.

Esses instrumentos, produzidos todos nos países árabes, devem ser comprados aqui no Brasil em lojas especializadas.

Explicaremos de forma mais técnica, como funciona a questão da nomenclatura dos instrumentos.

Derbakke ou Tabla

É a Tabla de origem árabe. Ocidentalmente, costumam chamar esse instrumento de Darbouka ou Doumbek. Sua versão em alumínio, surgida na década dos anos 80, tem como característica parafusos de afinação embutidos na borda do instrumento.

Tabla também é o nome de outro importante instrumento pertencente à percussão da Índia.

A Darbuka ou Darbouka

Quando falamos em Darbuka estamos nos referindo, geralmente, a Tabla confeccionada na Turquia ou, então, ao estilo turco. Esse instrumento possui corpo niquelado e suas tarraxas de afinação não são embutidas na borda do instrumento. Há também a versão desse instrumento em tamanho grande, conhecido internacionalmente pelo nome de Darbuka Extra Large. Muitos confundem esTe instrumento com a Doholla, que é a versão maior do Derbakke ou Tabla. Darbuka Extra Large e Doholla são, portanto, instrumentos totalmente distintos.

Ao contrário do que muitos pensam, a Darbuka Turca não é um instrumento de origem árabe. Lembramos que a Turquia não faz parte do rol de paises árabes, assim como o Irã. Há percussionistas que não consideram a Darbuka uma variante da Tabla Egípcia.

Ressaltamos que a Derbakke ou Tabla também pode ser conhecida no ocidente pelo nome de Darbuka ou Darbouka.

O Daff ou Duff.

No Líbano e Síria, Daff é o nome que representa o pandeiro tenor de cinco címbalos duplos. No Egito, Daff representa o pandeiro largo e sem címbalos tocado geralmente por Beduínos em suas canções folcloristas. No Líbano e Síria, é conhecido tradicionalmente pelo nome de Mazhar. Geralmente os instrumentos de maior tamanho, recebem o nome de Bendir, isso tanto no Egito quanto no Líbano e Síria.

A Mazhar, Muzhar ou Massar.

No Egito, a Mazhar nada mais é do que um Daff ou Duff ou, então, um Bendir dotado de címbalos, ou, num conceito mais moderno, de platinelas.

Os Snujs

Intrumento bastante usado pelas Bailarinas de Dança do Ventre. No Líbano são chamados de Snujs; no Egito, por sua vez, recebem o nome de Sagat.

O Riqq/Daff

É o mesmo instrumento conhecido no Líbano pelo nome de Daff. Riqq é o nome que recebe no Egito.

Essas são algumas considerações rápidas e esperamos que possa ajudar na hora da compra. Qualquer dúvida em relação a esse complexo tema, é só nos encaminhar sua mensagem.

 

Considerações sobre metodologia para o estudo da Derbakke.

É sabido que o método de se ensinar percussão árabe pode variar de professor para professor. Tanto no Brasil quanto no exterior, há milhares de métodos e formas empregados. Vamos aqui traçar alguns subsídios importantes para a elaboração de um método realmente eficaz.

Um ponto pouco mencionado, e que não poderemos deixar de aludir logo de início, é a questão do ambiente apropriado para se ensinar percussão. Infelizmente, nem todos possuem tal preocupação. Em opinião particular, devemos sempre preferir as chamadas salas secas, ou seja, salas que possuem pouca ou nenhuma reverberação. O aluno consegue ouvir melhor o que está tocando, percebendo melhor a vibração e a tonalidade de cada batida percussiva. Em percussão árabe isso é de fundamental importância, mesmo em estudos ainda prematuros.

Uma familiarização geral é imprescindível. Geralmente costuma-se dar grande ênfase ao Derbakke,  esquecendo-se de fazer qualquer alusão sobre os outros instrumentos.  Posicionamento do instrumento e postura do instrumentista, posicionamento correto das mãos e conhecimento das zonas sonoras da Derbakke.

Passaremos a treinar auditivamente o que chamo de percepção bruta das tonalidades sônicas ou sonoras ( agudo, médio e grave ). Costumo dizer que são as três cores primárias, das quais o artista partirá à criação das nuances (gradação das batidas, no nosso caso). Vamos entender e saber diferenciar o som fraco de um som forte, um som baixo de um som alto. A isso damos o nome de estudo da "Qualidade dos sons".

Antes de iniciarmos os estudos dos ritmos principais que compõem a música árabe, se faz necessário abordar alguns princípios de teoria geral do ritmo, entendendo o que é um ritmo propriamente dito e como ele é construído. Assim, devemos estabelecer algumas considerações sobre os compassos rítmicos em geral (2/4, 4/4, 11/8 etc..), conhecendo sua classificação temporal de acordo com a contagem de suas batidas ( Consideração métrica: Compasso Binário, Compasso Ternário, Compasso Quaternário, Compasso Alternado; Consideração pelas notas: Compasso Simples e Compasso Composto ). Isso é o básico para o conhecimento inicial de todo percussionista.

Pois bem, feita todas as considerações supracitadas até então, é o momento de começarmos a abordar sobre os principais ritmos que compõem a música árabe. Aqui, iniciaremos trabalhando em conjunto dois elementos primórdios: 1 - percepção rítmica fina, potencializando a capacidade auditiva do aluno e sua sensibilidade interpretativa e 2 - a técnica correta para se executar ou interpretar tal ritmo, tomando sempre como base o que nos é transmitido através da escola clássica egípcia ou, então, da libanesa (Prefiro, em particular, a clássica egípcia pela tradicionalidade).

Ao abordarmos sobre alguns desses principais ritmos, é imprescindível estabelecermos alguns conceitos sobre o significado da expressão andamento rítmico, bem como sua classificação. Uma breve análise didática sobre o relacionamento entre as expressões andamento, ritmo e velocidade, se faz necessário (velocidade = andamento) .

Nesse ponto, o aluno deverá aprender a usar o metrônomo, conhecendo a importância de sua utilização na percussão não apenas árabe, mas mundial. Isso é necessário para que o aluno possa ter condições de praticar com segurança aquilo que aprendeu em sala de aula. Não indique metrônomos mecânicos, pois podem apresentar pequenas falhas.

Técnicas de relaxamento são importantes ? Sim ! O estado emocional de um percussionista pode facilmente influenciar seus estudos e trabalhos. O relaxamento deve ser mental e corpóreo, pendendo sempre a aguçar a sensibilidade rítmica.

O estudo dos encaixes rítmicos ou combinações rítmicas, importantíssimos pra a realização do solo de tabla, devem ser praticados SEMPRE sob auxílio de um metrônomo. Aqui, analisaremos os mais diversificados enfeites de transição rítmica, aprendendo a forma correta de realizá-los com maior e melhor precisão. Esses são apenas alguns dos principais pontos que, em opinião particular, um bom método de ensino deve conter.

 

Tabla tradicional x  Tabla contemporânea

Conjunto de músicos libaneses tocam para Bailarina em Baalbek - Foto da década de 80.

Quando falamos na versão moderna de alguma coisa, logo imaginamos algo melhor, mais primoroso, e que substituirá sua versão passada tornando-a definitivamente extinta.

 Curiosamente, em relação ao advento das Tablas modernas, ocorrera algo diferente. As tablas modernas não vieram para substituir as Tablas tradicionais de cerâmica, mas sim para serem uma alternativa a mais aos músicos percussionistas. Pelo menos, esse é o entendimento de grandes mestres da percussão árabe mundial. 

Não há substitutividade e sim alternatividade no surgimento da versão moderna das Tablas árabes. Cabe agora fazermos uma indagação: Por que,então, as Tablas egípcias modernas passaram a ser utilizadas nas orquestras e conjuntos árabes ? Simplesmente porque nestes casos específicos, tal versão se tornou a melhor opção uma vez que é bastante complicado, estando evidentemente em um show, manter a pele de uma Tabla de cerâmica aquecida e esticada o tempo todo. 

Existe também a questão de melhor resistência para transporte em viagens. Um instrumento em corpo de cerâmica pode facilmente se quebrar se não estiver bem protegido. Fuad Haidamus utilizava pesados estojos em madeira maciça para transportar seus instrumentos com perfeita segurança.

Qual seria, então, a melhor tabla? Bem, sempre mantive uma posição neutra pois acho ser a melhor resposta para tal questionamento. É certo que tudo vai depender da forma que deseja utilizá-la. Quem gosta de solos extremamente técnicos e valoriza o tradicionalismo sonoro, (opinião particular)  opta pelas Tablas tradicionais, uma vez que o couro valoriza e individualiza um pouco mais o toque dos dedos no instrumento tornando-os um pouco mais nítidos auditivamente. É por essa razão que mestres de percussão árabe ainda dão "alguns pontos" de vantagem às versões tradicionais da Tabla.

Não existe versão antiga da Tabla ! Afirmamos isso para melhor evitar qualquer acepção divisória que o termo "antigo" possa  proporcionar. Existe, sim, a versão tradicional, feita em corpo de barro e em membrana animal (couro de peixe ou cabrito), cuja fabricação se  perpetua até os tempos atuais e, agora, a versão moderna - próxima a nós - criada em meados dos anos oitenta.

Particularmente, prefiro mais a  expressão  "tabla árabe contemporânea" que  "tabla árabe moderna".

É certo que a Tabla ou Derbakke, na sua versão moderna ou contemporânea, atingira definitivamente aquilo que era esperado: figurar atualmente como uma alternativa ao lado de sua versão tradicional, e isto não seria possível se não fosse graças a  sua sonoridade, que é provida de grandes méritos.

Será que um dia a versão tradicional da Tabla possa ser realmente substituída por sua versão contemporânea ? Creio que não, justamente pelo forte tradicionalismo que rege a música árabe, principalmente a de percussão.

  

Como reconhecer uma boa música de percussão árabe.

Ultimamente a percussão árabe vem ganhando espaço na mídia ocidental. Muitos trabalhos de percussionistas estão surgindo  a cada dia, embalados pelo aumento assustador de escolas da dança do ventre tando na Europa como na América do Norte e América Latina.  

Diante dessa enxurrada de produções musicais,  distingüir a boa música árabe de alguns trabalhos flagrantemente medíocres não é uma tarefa difícil, principamente quando nos referimos à música percussiva árabe. Criou-se erroniamente um certo dilema de que o bom derbakkista é aquele que toca com extrema rapidez. 

Ora, partindo deste infundável pressuposto, alguns “bons percussionistas” mostram em seus trabalhos solos tão rápidos que humanamente seria impossíveis de realizar.  Utilizam, para tanto, recursos de estúdio para aumentar a velocidade das batidas, loops sobrepostos criando enfeites absurdos, dois ou mais instrumentos dando a entender que se trata de um apenas, etc...

Acontece que quando se aplicam tal efeito, podemos facilmente perceber uma certa distorção no som do instrumento. O importante é não se deixar levar por tudo que ouve na mídia.  Existem muitos "falsos solos de Derbakke".  Certa vez, assiti ao vídeo de uma bailarina que devido a velocidade do solo, mal conseguia acompanhar na dançar. Isso é muito triste de se ver. Veja alguns pontos desfavoráveis em um trabalho musical percussivo:

a-  Repetição rítmica ( Falta de criatividade )

b-  Ecos e Reverberações exagerados aos solos, criando uma certa indefinição à execução do ritmo.

c-   Solos extremamente velozes;  humanamente impossíveis de se realizar.

d-   Loops para criar enfeites.

A artificialidade de alguns poucos trabalhos, prejudica o iniciante na percussão árabe que, muitas vezes, se espelha neles para  aprimorar seus estudos e técnicas na percussão. A criatividade, a técnica, o sentimentalismo e, principalmente, a naturalidade dos solos, são pressupostos indispensáveis na caracterização da boa música de percussão árabe.

 

  Características de um bom Derbakkista 

( Análise prática aos princípios que regem a percussão árabe )

Criou-se um certo dilema de que o bom derbakkista é sempre aquele que toca com repiques extremamente rápidos e fortes. É claro que se trata de uma concepção errônea, sem sentido. Já vi muitos derbakkistas atropelarem suas batidas no instrumento graças a velocidade absurda. Na verdade, o percussionista está batucando e não tocando o derbakke.

Definitivamente, velocidade não é sinônimo de bom derbakkista ! É evidente que devemos ser velozes, porém, somente quando a música ou o solo assim exigir.

Um solo de derbakke precisa ter em primeiro lugar uma seqüência lógica. Eu não posso, por exemplo, pular de um ritmo lpara outro sem, contudo, harmonizá-los corretamente. É o que Hossam Ramzy chama de "combinação rítmica" em sua obra discográfica "Rhyhtms of the Nile - Introduction to Egyptian Dance Rhythms".

Curiosamente, quando falamos em sequência lógica estamos nos referindo a uma dupla analise elementar, vejamos então:

Sequência rítmica = Sucessão de ritmos hamonicamente.

Lógica rítmica = Raciocínio coerente na harmonização de tais rítmos.

Logo, seqüência lógica é o mesmo que uma harmonização coerente.

Sabemos que todo solo de derbakke é fruto de um raciocínio prévio do percussionista. Não basta apenas sequenciar ritmos, é preciso também dispô-los de uma maneira lógica, coerente, que acabem gerando uma música percussiva.

Juntamente com o princípio da seqüência lógica, cabe a aplicação de um segundo princípio, ou seja, o da Dinâmica Natural.

Entendemos por dinâmica rítmica o ato de graduar os níveis de intensidade dos sons - batidas - produzidos em um ritmo. Já "natural" significa estar sempre em consonância com a originalidade, o caráter que cada ritmo possui em particular.

Princípios que regem a percussão árabe

Princípios da Percussão àrabe Significado
 

Seqüência Lógica

 

Ser harmônico e apresentar um raciocínio lógico, coerente.
 

Dinâmica Natural

 

Graduar a intensidade dos sons e respeitar a originalidade peculiar de cada ritmo

 

Assim, em termos conclusivos, dizemos que um bom derbakkista deve ser em seu solo:a - Harmônico, b - Lógico,c - Dinâmico e d - Natural.

 

Considerações sobre as técnicas profissionais usadas ao solo de derbakke.

Em resposta a um recente e-mail, falaremos sucintamente das técnicas usadas pelos derbakkistas mestres em seus solos percussivos.

Todas essas técnicas elencadas ( tanto neste site como nas apostilas )são, na verdade, as regras básicas. É certo de que existem técnicas mais avançadas, que são usadas pelos mestres da percussão.  As técnicas profissionais ou mestras, diferem-se razoavelmente das técnicas básicas.

Infelizmente, para não ferir a ética  ante a todos os mestres de percussão a que temos contato, não seria conveniente explicitarmos aqui  essas regras diferenciadoras ( geralmente são técnicas abordadas em workshops  pagos ). Porem é de se ressaltar ,que ninguém consegue dominar as técnicas profissionais sem ,antes, dominar ao máximo as técnicas básicas (as técnicas profissionais exigem plena familiarização com o instrumento).

As técnicas profissionais, por serem mais evoluídas, contribuem muito para uma melhor execução e definição do ritmo e dos solos. São técnicas que tinge o solo, tornando-os mais robusto.  É por isso que muitas vezes, um percussionista de nível inferior, ao ouvir determinado solo não sabe como um certo enfeite fora executado.  São enfeites  frutos dessas técnicas e regras dominadas e aplicadas pelos profissionais.

Devemos comparar tudo  a um jogo do xadrez., ou seja, uma coisa é aprender os movimentos de cada uma das pedras , as regras básicas e algumas aberturas, outra, é saber desenvolver um jogo perfeito que conduza à vitória.

A título de exemplo, o trigêmeo ( Espécie de repique no qual utiliza-se os dedos anular, médio e indicador da mão esquerda (destros) ou direita (canhotos), que deverão tocar a borda da Tabla de forma alternada e sempre nesta ordem apresentada (1ºtoque – dedo anular, 2º toque – dedo médio e 3º toque – dedo indicador ) sempre de forma rápida e seqüenciada .) é um movimento que pertence à classe dos toques básicos e não profissionais ( isto da maneira conforme está explicado ). Essa forma é considerado básica porque ajuda - torna mais fácil -  o percussionista  florear em seu solo. Costumo chamar o trigêmeo básico de trigêmeo falho, pois raramente conseguimos tocar o dedo médio na borda do instrumento. Infelizmente, a grande maioria dos percussionsitas árabes no Brasil (pelo menos todos os que conheço) utilizam o trigêmeo básico.

Muitos ainda tendem a usar um certo "repique floreador" ( para simular o trigêmeo profissional, (que produz melhor som ) usando a mão esquerda (destros)). É uma forma interessante, mas também não é adotada pelos grandes mestres.

O problema principal é saber qual a forma correta - a técnica correta -  para se fazer um certo enfeite na Derbakke. Quando ouvimos, por exemplo, os egípcios Khamis Henkish e Mahmoud Fadl  fazerem um certo enfeite, podemos até reproduzi-lo de forma parecida ( há mil maneiras de se fazer ), porém, dessas mil, somente uma reproduzira o floreado com igual perfeição e dinâmica. Todas as outras formas serão meras simulações desse enfeite e não produzirão a "mesma" sonoridade. É como solar chorinho no cavaquinho ou bandolim, ignorando o toque duplo da palheta em cada corda. Dá pra solar, mas a dificuldade é extremamente aumentada sem a utilização da referida técnica.

Não podemos apresentar um solo na base das simulações. O "eu acho que é assim" deve sempre ser evitado. Eu mesmo já toquei muito por simulação, porém,  sempre busquei  saber qual a técnica correta de se reproduzir um certo enfeite, floreado, repique etc.. . Todas as vezes que simulava um floreado na derbakke, ficava extremamente chateado pois sabia que aquilo tornava minha técnica inferior.

O trigêmeo básico é uma espécie de trigêmeo simulado. Sua utilização, como já disse, é necessária para facilitar o aprendizado.

Infelizmente, nós não vamos encontrar na Internet as técnicas profissionais usadas para se tocar derbakke. O que vemos, geralmente, são as regras básicas, convencionais. Digo isso não para desestimular, muito pelo contrário, é para dar ciência de que o estudo e o aperfeiçoamento precisam ser buscados. Há mais para se aprender !

Como aprender essas técnicas profissionais ? Como deixar de simular os enfeites ? Bem, primeiramente devemos procurar dominar ao máximo as regras básicas. As regras profissionais ( não simulações ) suprem as necessidades do músico para com o seu instrumento. Procure ouvir atentamente percussionistas que realmente dominam a técnica. Percussionistas que não simulam enfeites. Assista à vídeos antigos de orquestras árabes clássicas, prestando atenção nos movimentos do derbakkista ( Os músicos de orquestras clássicas ,principalmente as da época de Abdel Halim Hafez, sempre apresentam técnicas apuradas e profissionais ).

Estudemos, treinemos muito e não nos deixemos iludir. Vamos evitar simular técnicas,( se estiver simulando, procure saber como aquele floreado é feito de forma correta ) evite também tocar com vícios ( fazer o dum com o polegar e coisas assim )

Quando estivermos  treinando, façamos diante de um espelho olhando atentamente o movimento que estamos imprimindo às nossas mãos. Os movimentos devem ser suaves e perfeitos como os de um maestro. Observar a postura também é importante.  Eu  particularmente, mesmo após 30 anos de dedicação, quando penso que se esgotou tudo o que deveria aprender sobre percussão árabe, sempre, sempre surge algo de novo. Gosto de dizer que quando não se simula, somos capaz de fazer ouvir a voz da Derbakke. Certa vez ouvi um célebre percussionista dizer: "A Tabla é como um animal selvagem, se eu não domá-la bem, a qualquer momento pode me fugir do controle".

Como disse no início dessas explicações, não seria ético expormos aqui os truques e técnicas usadas pelos  percussionsitas mestres na derbakke, mas ficamos à disposição para tirar possíveis dúvidas pertinentes.

 

 

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