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"Interessantes dicas sobre
Percussão Libanesa e
outros temas" |
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A Doholla: Seu breve histórico no Brasil e outras
curiosidades.

Original Doholla em cerâmica e pele de cabra:
Melhor ressonância e extraordinário baixo
profundo. |
A primeira Doholla do Brasil que temos conhecimento,
fora confeccionada pelo pioneiro Fuad Haidamus em meados
de 1983. Fora feita em cerâmica e pele de cabrito
colada. Esse instrumento não fora utilizado em shows ou
gravações. Possuia porte pequeno e relativamente leve,
porém, com uma abertura bocal considerável o que
proporcionava um som relativamente grave.
A Doholla, principal instrumento de base na percussão
libanesa, ainda é um instrumento bastante desconhecido
no Brasil e, também, em muitos outros países da América
Latina. Já existem no mercado Dohollas modernizadas, ou
seja, em corpo de alumínio e pele de nylon.
Existem muitas explicações que equivocadamente pregam
que a Doholla é um instrumento igual ao Derbakke, porém,
maior. Esse tipo de afirmação pode gerar um entendimento
confuso. A Doholla se assemelha ao Derbakke, possuindo
um diâmetro bocal bem superior.
Outra dica que também serve de alerta é a equívoca
afirmação de que "atualmente, a Doholla é confeccionada
em alumínio fundido e pele sintética". Atualmente, a
Doholla é confeccionada ainda na sua versão tradicional,
em cerâmica e pele de cabra e, também, numa versão
moderna, em alumínio e pele sintética.
Uma outra questão importante é entendermos o sentido da
expressão "baixo profundo". O que é isso exatamente ?
Simples ! É o som ou a nota grave (baixo), que se
diferencia nitidamente das demais notas graves tocadas (profundo).
Dá-se certamente uma tridimensionalidade à percussão.
As Dohollas devem ser sempre afinadas ao máximo (assim
como as Derbakkes) para a produção de uma vibração
correta. É o diâmetro bocal que irá estabelecer o timbre
grave e não uma pele mal afinada, que pode produzir um
prolongamente demasiado na vibração.
Muitos confundem a Doholla com a Darbukka Extra Large
(extraordinariamente grande) feita sob os moldes e
estilo turco, com corpo mais afilado e parafusos de
afinação expostos ao redor do aro. Vários
percussionistas substituem a Doholla pelo Djembe -
instrumento africano em madeira e pele de cabra ou
antílope, que também possui um som bastante grave mas
perceptivelmente diversificado do som de uma Doholla em
cerâmica, por exemplo.
É certo que a produção desse instrumento no estilo
tradicional dirimiu significativamente. Encontrar uma
Doholla em cerâmica bem preparada, pele de cabra e em
formato perfeito é algo muito raro, até mesmo nos países
árabes. Sua confecção em alumínio é mais simplificada e
fácil graças ao uso de fôrmas específicas.
É correta afirmação de que a Doholla de alumínio fundido
é melhor que a sua versão tradicional em cerâmica e pele
de cabra ? Bem, a Doholla em alumínio é, sem dúvida
alguma, sinônimo de comodidade em muitos aspectos, mas
perde significativamente em termo de qualidade sonora se
comparada a sua versão tradicional. Vejamos o quadro
abaixo:
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Doholla em Alumínio e pele sintética
(nylon) |
Doholla em
cerâmica e pele de cabra |
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O corpo em
alumínio a torna mais leve e resistente,
sendo muito mais fácil o transporte. |
O corpo em
cerâmica a torna bastante pesada, frágil
e de difícil transporte. |
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Sua pele
sintética não sofre influências
climáticas, permanecendo afinada sempre. |
Sua pele
sofre influências climáticas,
necessitando de lâmpadas para se manter
afinada. |
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Possui
ressonância artificializada e estridente. |
Possui
excelente ressonância, suave a natural. |
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Seu "Dum"
possui escala de profundidade pouco
satisfatória devido aos materias usados
na confecção desse instrumento. |
Seu corpo
em cerâmica e a pele natural, favorece
um excelente "Dum" (batida grave) com
incríveis profundidades sonoras. |
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Ideal para
shows. |
Ideal para
shows e gravações |
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Devemos ter em mente que a Doholla é um instrumento de
base e, por essa razão, é imprescindível que seu som
seja grave o bastante para estabelecer um "cheio de
fundo" conhecido nos melhores e mais diversificados
solos de percussão.
Uma outra dica importante é saber como reconhecer a boa
sonoridade desse instrumento. A vibração sonora do "Dum"
precisa ser evidentemente grave mas não pode se estender
demasiadamente ou, então, ser muito curta; o correto
seria o meio termo. As Dohollas em alumínio apresentam,
também, uma certa deficiência nesse sentido.
Dicas interessantes sobre como usar uma lâmpada para
aquecer e afinar Derbakke ou Daff tradicional.

Conjunto de músicos libaneses tocam para
Bailarina em Baalbek - Foto da década de 80. |
Muitos me perguntam se existe alguma lâmpada específica
para ser utilizada na afinação dos Derbakkes
tradicionais ou se podemos usar qualquer lâmpada
incandescente.
Bem, para utilizarmos com segurança uma lâmpada para
afinar Derbakke tradicional, ou seja, em pele animal, é
necessário observamos alguns pontos importantes pois, se
assim não for feito, danos ao instrumento poderá
eventualmente acontecer.
Antes da utilização do suporte embutido, idealizado pelo
pioneiro da percussão árabe no Brasil, que o
possibilitava afinar o instrumento concomitantemente à
apresentação, Fuad Haidamus utilizava duas Derbakkes, ou
seja, enquanto utilizava um instrumento, o outro ficava
na reserva afinando. Quando o instrumento que estava
tocando perdia a afinação, geralmente após duas ou três
músicas depedendo da umidade do ambiente, fazia-se a
troca. Essa prática perdurou nos shows até a criação do
suporte especial que era fixado no interior do
instrumento.
A lâmpada não pode ser de grande potência ( no máximo
40 wats, dependendo do couro ). A evaporação da
umidade contida no couro deve ser feita
gradativamente. Lâmpadas que propagam grande
calor podem queimar a membrana do instrumento.
O correto é manter a pele do instrumento em temperatura
morna. O calor produzido deve ser facilmente
suportável à nossa pele. A temperatura deve ser sempre,
sempre agradável e facilmente tolerada.
O tempo que um instrumento leva para ficar totalmente
afinado varia muito. Vai depender, evidentemente, da
umidade do ar no momento, da grossura da membrana de
couro, e do calor produzido para a evaporação dessa
umidade. Em média dura 15 minutos, mas pode ultrapassar
a marca de 30 minutos (em dias bem úmidos). Vale aqui
lembrar que em dias de grande umidade (chuva), o couro
nunca atingirá sua afinação máxima.
Secar pele de Daff com o secador de cabelos não
nos parece uma boa idéia. O secador sopra vento quente
mas úmido (umidade contida no ar). O couro continuará
recebendo e absorvendo umidade (não atingirá a
afinação máxima).
Ao contrário do que muitos acreditam, o Daff em pele de
peixe possui sonoridade superior aos de pele de nylon,
sendo o mais indicado para gravações.
Importante:
No caso de
Derbakke ou Daff em pele de peixe, optamos, em Stúdio,
por um sistema mais seguro, onde há a possibilidade
de se controlar melhor o calor propagado, evitando,
assim, qualquer possibilidade de danos à membrana fina.
Deixaremos a análise desse ponto para uma outra
oportunidade.
Curiosamente, Fuad Haidamus usava calor da lâmpada em
Derbakkes revestidos de pele de bode. Lembremos sempre
que quanto mais grossa for a pele utilizada, maior será
a quantidade de umidade absorvida; mais difícil e
prolongada será a evaporação dessa umidade.
Dicas importantes para a
compra de instrumento de percussão árabe.
Todos sabemos que a percussão árabe é bastante complexa
tanto em ritmos quanto na quantidade de instrumentos.
Como se isso não bastasse, há também a problemática em
relação aos nomes que identificam cada instrumento no
mundo árabe.
Certa vez nos perguntaram se as Darbukas
confeccionadas por indústrias de instrumentos musicais
aqui no Brasil ou na América Latina são os mesmos
instrumentos importados do Egito, Líbano e Síria. Bem,
infelizmente não. Pela informação que temos, não existe
nenhuma indústria de instrumentos musicais no Ocidente
que produza uma genuína Derbakke, salvo a Meinl
que produz darbukas turcas e derbakkes em alumínio
fundido e revestimento de vinyl.
Esses instrumentos, produzidos todos nos
países árabes, devem ser comprados aqui no Brasil em
lojas especializadas.
Explicaremos de forma mais técnica, como
funciona a questão da nomenclatura dos instrumentos.
Derbakke ou Tabla
É a Tabla de origem árabe.
Ocidentalmente, costumam também chamar esse instrumento
de Darbouka ou Doumbek. Sua versão em alumínio, surgida
na década dos anos 80, tem como característica parafusos
de afinação embutidos na borda do instrumento.
Tabla também é o nome de outro
importante instrumento pertencente à percussão da Índia.
A Darbuka ou
Darbouka
Quando falamos em Darbuka estamos
nos referindo, geralmente, ao tambor confeccionada na
Turquia ou, então, ao estilo turco. Esse instrumento
possui corpo niquelado e suas tarraxas de afinação não
são embutidas na borda do instrumento. Há também a
versão desse instrumento em tamanho grande, conhecido
internacionalmente pelo nome de Darbuka Extra Large.
Muitos confundem este instrumento com a Doholla,
que é a versão maior do Derbakke ou Tabla. Darbuka Extra
Large e Doholla são, portanto, instrumentos totalmente
distintos.
Ao contrário do que muitos pensam, a
Darbuka Turca não é um instrumento de origem árabe.
Lembramos que a Turquia não faz parte do rol de paises
árabes, assim como o Irã. Há percussionistas que não
consideram a Darbuka uma variante da Tabla Egípcia.
Ressaltamos que a Derbakke ou Tabla
também pode ser conhecida no ocidente pelo nome de
Darbuka ou Darbouka.
O Daff ou Duff.
No Líbano e Síria, Daff é o nome que
representa o pandeiro tenor de cinco címbalos duplos. No
Egito, Daff representa o pandeiro largo e sem címbalos
tocado geralmente por Beduínos em suas canções
folcloristas. No Líbano e Síria, é conhecido
tradicionalmente pelo nome de Mazhar. Geralmente
os instrumentos de maior tamanho, recebem o nome de
Bendir, isso tanto no Egito quanto no Líbano e Síria.
A Mazhar, Muzhar
ou Massar.
No Egito, a Mazhar nada mais é do que um
Daff ou Duff ou, então, um Bendir dotado de címbalos, ou,
num conceito mais moderno, de platinelas.
Os Snujs
I ntrumento
bastante usado pelas Bailarinas de Dança do Ventre. No
Líbano são chamados de Snujs; no Egito, por sua vez,
recebem o nome de Sagat.
O Riqq/Daff
É o mesmo instrumento conhecido no
Líbano pelo nome de Daff. Riqq é o nome que recebe no
Egito.
Essas são algumas considerações rápidas
e esperamos que possa ajudar na hora da compra.
Considerações sobre metodologia para o
estudo da Derbakke.
É sabido que
o método de se ensinar percussão árabe pode variar de
professor para professor. Tanto no Brasil quanto no
exterior, há milhares de métodos e formas empregados.
Vamos aqui traçar alguns subsídios importantes para a
elaboração de um método realmente eficaz.
Um ponto
pouco mencionado, e que não poderemos deixar de aludir
logo de início, é a questão do ambiente apropriado para
se ensinar percussão. Infelizmente, nem todos possuem
tal preocupação. Em opinião particular, devemos sempre
preferir as chamadas salas secas, ou seja, salas
que possuem pouca ou nenhuma reverberação. O aluno
consegue ouvir melhor o que está tocando, percebendo
melhor a vibração e a tonalidade de cada batida
percussiva. Em percussão árabe isso é de fundamental
importância, mesmo em estudos ainda prematuros.
Uma
familiarização geral é imprescindível. Geralmente
costuma-se dar grande ênfase ao Derbakke, esquecendo-se
de fazer qualquer alusão sobre os outros instrumentos.
Posicionamento do instrumento e postura do
instrumentista, posicionamento correto das mãos e
conhecimento das zonas sonoras da Derbakke.
Passaremos a
treinar auditivamente o que chamo de percepção bruta das
tonalidades sônicas ou sonoras ( agudo, médio e grave ).
Costumo dizer que são as três cores primárias, das quais
o artista partirá à criação das nuances (gradação das
batidas, no nosso caso). Vamos entender e saber
diferenciar o som fraco de um som forte, um som baixo de
um som alto. A isso damos o nome de estudo da
"Qualidade dos sons".
Antes de
iniciarmos os estudos dos ritmos principais que compõem
a música árabe, se faz necessário abordar alguns
princípios de teoria geral do ritmo, entendendo o
que é um ritmo propriamente dito e como ele é construído.
Assim, devemos estabelecer algumas considerações sobre
os compassos rítmicos em geral (2/4, 4/4, 11/8 etc..),
conhecendo sua classificação temporal de acordo com a
contagem de suas batidas ( Consideração métrica:
Compasso Binário, Compasso Ternário, Compasso
Quaternário, Compasso Alternado; Consideração pelas
notas: Compasso Simples e Compasso Composto ). Isso
é o básico para o conhecimento inicial de todo
percussionista.
Pois bem,
feita todas as considerações supracitadas até então, é o
momento de começarmos a abordar sobre os principais
ritmos que compõem a música árabe. Aqui, iniciaremos
trabalhando em conjunto dois elementos primórdios:
1 - percepção rítmica fina, potencializando a
capacidade auditiva do aluno e sua sensibilidade
interpretativa e 2 - a técnica correta para se
executar ou interpretar tal ritmo, tomando sempre como
base o que nos é transmitido através da escola clássica
egípcia ou, então, da libanesa (Prefiro, em particular,
a clássica egípcia pela tradicionalidade).
Ao
abordarmos sobre alguns desses principais ritmos, é
imprescindível estabelecermos alguns conceitos sobre o
significado da expressão andamento rítmico, bem
como sua classificação. Uma breve análise
didática sobre o relacionamento entre as expressões
andamento, ritmo e velocidade, se faz necessário
(velocidade = andamento) .
Nesse ponto,
o aluno deverá aprender a usar o metrônomo,
conhecendo a importância de sua utilização na percussão
não apenas árabe, mas mundial. Isso é necessário para
que o aluno possa ter condições de praticar com
segurança aquilo que aprendeu em sala de aula. Não
indique metrônomos mecânicos, pois podem apresentar
pequenas falhas.
Técnicas de
relaxamento são importantes ? Sim ! O estado emocional
de um percussionista pode facilmente influenciar seus
estudos e trabalhos. O relaxamento deve ser mental e
corpóreo, pendendo sempre a aguçar a sensibilidade
rítmica.
O estudo dos
encaixes rítmicos ou combinações rítmicas,
importantíssimos pra a realização do solo de tabla,
devem ser praticados
SEMPRE
sob auxílio de um metrônomo. Aqui, analisaremos os mais
diversificados enfeites de transição rítmica,
aprendendo a forma correta de realizá-los com maior e
melhor precisão. Esses são apenas alguns dos principais
pontos que, em opinião particular, um bom método de
ensino deve conter.
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