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"Confira
algumas interessantes dicas sobre Percussão Libanesa e
outros temas pertinentes...". |
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A Doholla: Seu breve histórico no Brasil e
outras curiosidades.
Original Doholla em cerâmica e pele de cabra: Melhor
ressonância e extraordinário baixo profundo. |
A primeira Doholla do Brasil que temos
conhecimento, fora confeccionada pelo pioneiro Fuad Haidamus
em meados de 1983. Fora feita em cerâmica e pele de cabrito
colada. Esse instrumento não fora utilizado em shows ou
gravações. Possuia porte pequeno e relativamente leve, porém,
com uma abertura bocal considerável o que proporcionava um som
relativamente grave.
A Doholla, principal instrumento de base na
percussão libanesa, ainda é um instrumento bastante
desconhecido no Brasil e, também, em muitos outros países da
América Latina. Já existem no mercado Dohollas modernizadas,
ou seja, em corpo de alumínio e pele de nylon.
Existem muitas explicações que equivocadamente
pregam que a Doholla é um instrumento igual ao
Derbakke, porém, maior. Esse tipo de afirmação pode gerar um
entendimento confuso. A Doholla se assemelha ao
Derbakke, possuindo um diâmetro bocal bem superior.
Outra dica que também serve de alerta é a
equívoca afirmação de que "atualmente, a Doholla é
confeccionada em alumínio fundido e pele sintética".
Atualmente, a Doholla é confeccionada ainda na sua versão
tradicional, em cerâmica e pele de cabra e, também, numa
versão moderna, em alumínio e pele sintética.
Uma outra questão importante é entendermos o
sentido da expressão "baixo profundo". O que é isso
exatamente ? Simples ! É o som ou a nota grave (baixo), que se
diferencia nitidamente das demais notas graves tocadas
(profundo). Dá-se certamente uma tridimensionalidade à
percussão.
As Dohollas devem ser sempre afinadas ao
máximo (assim como as Derbakkes) para a produção de uma
vibração correta. É o diâmetro bocal que irá estabelecer o
timbre grave e não uma pele mal afinada, que pode produzir um
prolongamente demasiado na vibração.
Muitos confundem a Doholla com a Darbukka
Extra Large (extraordinariamente grande) feita sob os
moldes e estilo turco, com corpo mais afilado e parafusos de
afinação expostos ao redor do aro. Vários percussionistas
substituem a Doholla pelo Djembe - instrumento africano em
madeira e pele de cabra ou antílope, que também possui um som
bastante grave mas perceptivelmente diversificado do som de
uma Doholla em cerâmica, por exemplo.
É certo que a produção desse instrumento no
estilo tradicional dirimiu significativamente. Encontrar uma
Doholla em cerâmica bem preparada, pele de cabra e em formato
perfeito é algo muito raro, até mesmo nos países árabes. Sua
confecção em alumínio é mais simplificada e fácil graças ao
uso de fôrmas específicas.
É correta afirmação de que a Doholla de
alumínio fundido é melhor que a sua versão tradicional em
cerâmica e pele de cabra ? Bem, a Doholla em alumínio é, sem
dúvida alguma, sinônimo de comodidade em muitos aspectos, mas
perde significativamente em termo de qualidade sonora se
comparada a sua versão tradicional. Vejamos o quadro abaixo:
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Doholla em
Alumínio e pele sintética (nylon) |
Doholla
em cerâmica e pele de cabra |
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| O corpo em
alumínio a torna mais leve e resistente, sendo muito
mais fácil o transporte. |
O corpo em
cerâmica a torna bastante pesada, frágil e de difícil
transporte. |
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| Sua pele
sintética não sofre influências climáticas, permanecendo
afinada sempre. |
Sua pele
sofre influências climáticas, necessitando de lâmpadas
para se manter afinada. |
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Possui
ressonância artificializada e estridente. |
Possui
excelente ressonância, suave a natural. |
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| Seu "Dum"
possui escala de profundidade pouco satisfatória devido
aos materias usados na confecção desse instrumento. |
Seu corpo
em cerâmica e a pele natural, favorece um excelente
"Dum" (batida grave) com incríveis profundidades
sonoras. |
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Ideal
para shows. |
Ideal
para shows e gravações. |
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Devemos ter em mente que a Doholla é um
instrumento de base e, por essa razão, é imprescindível que
seu som seja grave o bastante para estabelecer um "cheio de
fundo" conhecido nos melhores e mais diversificados solos de
percussão.
Uma outra dica importante é saber como
reconhecer a boa sonoridade desse instrumento. A vibração
sonora do "Dum" precisa ser evidentemente grave mas não pode se
estender demasiadamente ou, então, ser muito curta; o correto
seria o meio termo. As Dohollas em alumínio apresentam,
também, uma certa deficiência nesse sentido.
Dicas interessantes sobre como usar uma
lâmpada para aquecer e afinar Derbakke ou Daff tradicional.
Muitos me perguntam se existe alguma lâmpada
específica para ser utilizada na afinação dos Derbakkes
tradicionais ou se podemos usar qualquer lâmpada
incandescente.
Bem, para utilizarmos com segurança uma
lâmpada para afinar Derbakke tradicional, ou seja, em pele
animal, é necessário observamos alguns pontos importantes
pois, se assim não for feito, danos ao instrumento poderá
eventualmente acontecer.
Antes da utilização do suporte embutido,
idealizado pelo pioneiro da percussão árabe no Brasil, que o
possibilitava afinar o instrumento concomitantemente à
apresentação, Fuad Haidamus utilizava duas Derbakkes, ou seja,
enquanto utilizava um instrumento, o outro ficava na reserva
afinando. Quando o instrumento que estava tocando perdia a
afinação, geralmente após duas ou três músicas depedendo da
umidade do ambiente, fazia-se a troca. Essa prática perdurou
nos shows até a criação do suporte especial que era fixado no
interior do instrumento.
A lâmpada não pode ser de grande potência (
no máximo 40 wats, dependendo do couro ). A evaporação da
umidade contida no couro deve ser feita gradativamente.
Lâmpadas que propagam grande calor podem queimar a membrana do
instrumento.
O correto é manter a pele do instrumento em
temperatura morna. O calor produzido deve ser
facilmente suportável à nossa pele. A temperatura deve ser
sempre, sempre agradável e facilmente tolerada.
O tempo que um instrumento leva para ficar
totalmente afinado varia muito. Vai depender, evidentemente,
da umidade do ar no momento, da grossura da membrana de couro,
e do calor produzido para a evaporação dessa umidade. Em média
dura 15 minutos, mas pode ultrapassar a marca de 30 minutos
(em dias bem úmidos). Vale aqui lembrar que em dias de grande
umidade (chuva), o couro nunca atingirá sua afinação máxima.
Secar pele de Daff com o secador de cabelos
não nos parece uma boa idéia. O secador sopra vento quente mas
úmido (umidade contida no ar). O couro continuará recebendo e
absorvendo umidade (não atingirá a afinação máxima).
Ao contrário do que muitos acreditam, o Daff
em pele de peixe possui sonoridade superior aos de pele de
nylon, sendo o mais indicado para gravações.
Importante:
No caso de Derbakke
ou Daff em pele de peixe, optamos, em Stúdio, por um
sistema mais seguro, onde há a possibilidade de se controlar
melhor o calor propagado, evitando, assim, qualquer
possibilidade de danos à membrana fina. Deixaremos a análise
desse ponto para uma outra oportunidade.
Curiosamente, Fuad Haidamus usava calor da
lâmpada em Derbakkes revestidos de pele de bode. Lembremos
sempre que quanto mais grossa for a pele utilizada, maior será
a quantidade de umidade absorvida; mais difícil e prolongada
será a evaporação dessa umidade.
Qualquer dúvida sobre esse tema, envie-nos seu
e-mail.
Dicas importantes para a compra de instrumento
de percussão árabe.
Todos sabemos que a percussão árabe é bastante
complexa tanto em ritmos quanto na quantidade de instrumentos.
Como se isso não bastasse, há também a problemática em relação
aos nomes que identificam cada instrumento no mundo árabe.
Certa vez nos perguntaram se as Darbukas
confeccionadas por indústrias de instrumentos musicais aqui no
Brasil ou na América Latina são os mesmos instrumentos
importados do Egito, Líbano e Síria. Bem, infelizmente não.
Pela informação que temos, não existe nenhuma indústria de
instrumentos musicais no Ocidente que produza uma genuína
Derbakke, salvo a Meinl que produz darbukas turcas e
derbakkes em alumínio fundido e revestimento de vinyl.
Esses instrumentos, produzidos todos nos
países árabes, devem ser comprados aqui no Brasil em lojas
especializadas.
Explicaremos de forma mais técnica, como
funciona a questão da nomenclatura dos instrumentos.
Derbakke ou Tabla
É a Tabla de origem árabe. Ocidentalmente,
costumam chamar esse instrumento de Darbouka ou Doumbek. Sua
versão em alumínio, surgida na década dos anos 80, tem como
característica parafusos de afinação embutidos na borda do
instrumento.
Tabla também é o nome de outro importante
instrumento pertencente à percussão da Índia.
A Darbuka ou Darbouka
Quando falamos em Darbuka estamos nos
referindo, geralmente, a Tabla confeccionada na Turquia
ou, então, ao estilo turco. Esse instrumento possui corpo
niquelado e suas tarraxas de afinação não são embutidas na
borda do instrumento. Há também a versão desse instrumento em
tamanho grande, conhecido internacionalmente pelo nome de
Darbuka Extra Large. Muitos confundem esTe instrumento com
a Doholla, que é a versão maior do Derbakke ou Tabla.
Darbuka Extra Large e Doholla são, portanto, instrumentos
totalmente distintos.
Ao contrário do que muitos pensam, a Darbuka
Turca não é um instrumento de origem árabe. Lembramos que a
Turquia não faz parte do rol de paises árabes, assim como o
Irã. Há percussionistas que não consideram a Darbuka uma
variante da Tabla Egípcia.
Ressaltamos que a Derbakke ou Tabla também
pode ser conhecida no ocidente pelo nome de Darbuka ou
Darbouka.
O Daff ou Duff.
No Líbano e Síria, Daff é o nome que
representa o pandeiro tenor de cinco címbalos duplos. No
Egito, Daff representa o pandeiro largo e sem címbalos tocado
geralmente por Beduínos em suas canções folcloristas. No
Líbano e Síria, é conhecido tradicionalmente pelo nome de
Mazhar. Geralmente os instrumentos de maior tamanho,
recebem o nome de Bendir, isso tanto no Egito quanto no
Líbano e Síria.
A Mazhar, Muzhar ou
Massar.
No Egito, a Mazhar nada mais é do que um Daff
ou Duff ou, então, um Bendir dotado de címbalos, ou, num
conceito mais moderno, de platinelas.
Os Snujs
I ntrumento bastante usado pelas Bailarinas de
Dança do Ventre. No Líbano são chamados de Snujs; no Egito,
por sua vez, recebem o nome de Sagat.
O Riqq/Daff
É o mesmo instrumento conhecido no Líbano pelo
nome de Daff. Riqq é o nome que recebe no Egito.
Essas são algumas considerações rápidas e
esperamos que possa ajudar na hora da compra. Qualquer dúvida
em relação a esse complexo tema, é só nos encaminhar sua
mensagem.
Considerações sobre metodologia para o estudo
da Derbakke.
É
sabido que o método de se ensinar percussão árabe pode variar
de professor para professor. Tanto no Brasil quanto no
exterior, há milhares de métodos e formas empregados. Vamos
aqui traçar alguns subsídios importantes para a elaboração de
um método realmente eficaz.
Um
ponto pouco mencionado, e que não poderemos deixar de aludir
logo de início, é a questão do ambiente apropriado para se
ensinar percussão. Infelizmente, nem todos possuem tal
preocupação. Em opinião particular, devemos sempre preferir as
chamadas salas secas, ou seja, salas que possuem
pouca ou nenhuma reverberação. O aluno consegue ouvir melhor o
que está tocando, percebendo melhor a vibração e a tonalidade
de cada batida percussiva. Em percussão árabe isso é de
fundamental importância, mesmo em estudos ainda prematuros.
Uma
familiarização geral é imprescindível. Geralmente
costuma-se dar grande ênfase ao Derbakke, esquecendo-se de
fazer qualquer alusão sobre os outros instrumentos.
Posicionamento do instrumento e postura do instrumentista,
posicionamento correto das mãos e conhecimento das zonas
sonoras da Derbakke.
Passaremos a treinar auditivamente o que
chamo de percepção bruta das tonalidades sônicas ou sonoras (
agudo, médio e grave ). Costumo dizer que são as três cores
primárias, das quais o artista partirá à criação das nuances
(gradação das batidas, no nosso caso). Vamos entender e saber
diferenciar o som fraco de um som forte, um som baixo de um
som alto. A isso damos o nome de estudo da
"Qualidade dos sons".
Antes de iniciarmos os estudos dos ritmos principais que
compõem a música árabe, se faz necessário abordar alguns
princípios de teoria geral do ritmo, entendendo o que é
um ritmo propriamente dito e como ele é construído. Assim,
devemos estabelecer algumas considerações sobre os compassos
rítmicos em geral (2/4, 4/4, 11/8 etc..), conhecendo sua
classificação temporal de acordo com a contagem de suas
batidas ( Consideração métrica: Compasso Binário,
Compasso Ternário, Compasso Quaternário, Compasso Alternado;
Consideração pelas notas: Compasso Simples e Compasso
Composto ). Isso é o básico para o conhecimento inicial de
todo percussionista.
Pois
bem, feita todas as considerações supracitadas até então, é o
momento de começarmos a abordar sobre os principais ritmos que
compõem a música árabe. Aqui, iniciaremos trabalhando em
conjunto dois elementos primórdios: 1 - percepção
rítmica fina, potencializando a capacidade auditiva do
aluno e sua sensibilidade interpretativa e 2 - a técnica
correta para se executar ou interpretar tal ritmo, tomando
sempre como base o que nos é transmitido através da escola
clássica egípcia ou, então, da libanesa (Prefiro, em
particular, a clássica egípcia pela tradicionalidade).
Ao
abordarmos sobre alguns desses principais ritmos, é
imprescindível estabelecermos alguns conceitos sobre o
significado da expressão andamento rítmico, bem como
sua classificação. Uma breve análise didática sobre o
relacionamento entre as expressões andamento, ritmo e
velocidade, se faz necessário (velocidade = andamento)
.
Nesse ponto, o aluno deverá aprender a usar o
metrônomo, conhecendo a importância de sua utilização na
percussão não apenas árabe, mas mundial. Isso é necessário
para que o aluno possa ter condições de praticar com segurança
aquilo que aprendeu em sala de aula. Não indique metrônomos
mecânicos, pois podem apresentar pequenas falhas.
Técnicas de relaxamento são importantes ? Sim ! O estado
emocional de um percussionista pode facilmente influenciar
seus estudos e trabalhos. O relaxamento deve ser mental e
corpóreo, pendendo sempre a aguçar a sensibilidade rítmica.
O
estudo dos encaixes rítmicos ou combinações rítmicas,
importantíssimos pra a realização do solo de tabla, devem ser
praticados
SEMPRE sob
auxílio de um metrônomo. Aqui, analisaremos os mais
diversificados enfeites de transição rítmica,
aprendendo a forma correta de realizá-los com maior e melhor
precisão. Esses são apenas alguns dos principais pontos que,
em opinião particular, um bom método de ensino deve conter.
Tabla tradicional x Tabla contemporânea
Conjunto de músicos
libaneses tocam para Bailarina em Baalbek - Foto da
década de 80. |
Quando falamos na versão moderna de alguma coisa, logo
imaginamos algo melhor, mais primoroso, e que substituirá sua
versão passada tornando-a definitivamente extinta.
Curiosamente,
em relação ao advento das Tablas modernas, ocorrera algo
diferente. As tablas modernas não vieram para substituir as
Tablas tradicionais de cerâmica, mas sim para serem uma
alternativa a mais aos músicos percussionistas. Pelo menos,
esse é o entendimento de grandes mestres da percussão árabe
mundial.
Não
há substitutividade e sim alternatividade no surgimento da
versão moderna das Tablas árabes. Cabe agora fazermos uma
indagação: Por que,então, as Tablas egípcias modernas passaram
a ser utilizadas nas orquestras e conjuntos árabes ?
Simplesmente porque nestes casos específicos, tal versão se
tornou a melhor opção uma vez que é bastante complicado,
estando evidentemente em um show, manter a pele de uma Tabla
de cerâmica aquecida e esticada o tempo todo.
Existe também a questão de melhor resistência
para transporte em viagens. Um instrumento em corpo de
cerâmica pode facilmente se quebrar se não estiver bem
protegido. Fuad Haidamus utilizava pesados estojos em madeira
maciça para transportar seus instrumentos com
perfeita segurança.
Qual
seria, então, a melhor tabla? Bem, sempre mantive uma posição
neutra pois acho ser a melhor resposta para tal
questionamento. É certo que tudo vai depender da forma que
deseja utilizá-la. Quem gosta de solos extremamente técnicos e
valoriza o tradicionalismo sonoro, (opinião particular) opta
pelas Tablas tradicionais, uma vez que o couro valoriza e
individualiza um pouco mais o toque dos dedos no instrumento
tornando-os um pouco mais nítidos auditivamente. É por essa
razão que mestres de percussão árabe ainda dão "alguns pontos"
de vantagem às versões tradicionais da Tabla.
Não
existe versão antiga da Tabla ! Afirmamos isso para
melhor evitar qualquer acepção divisória que o termo
"antigo" possa proporcionar. Existe, sim, a versão
tradicional, feita em corpo de barro e em membrana animal
(couro de peixe ou cabrito), cuja fabricação se perpetua até
os tempos atuais e, agora, a versão moderna - próxima a nós -
criada em meados dos anos oitenta.
Particularmente, prefiro mais a expressão "tabla árabe
contemporânea" que "tabla árabe moderna".
É
certo que a Tabla ou Derbakke, na sua versão moderna ou
contemporânea, atingira definitivamente aquilo que era
esperado: figurar atualmente como uma alternativa ao lado de
sua versão tradicional, e isto não seria possível se não fosse
graças a sua sonoridade, que é provida de grandes méritos.
Será que um dia a versão tradicional da Tabla
possa ser realmente substituída por sua versão contemporânea ?
Creio que não, justamente pelo forte tradicionalismo que rege
a música árabe, principalmente a de percussão.
Como
reconhecer uma boa música de percussão árabe.
Ultimamente a
percussão árabe vem ganhando espaço na mídia ocidental. Muitos
trabalhos de percussionistas estão surgindo a cada dia,
embalados pelo aumento assustador de escolas da dança do
ventre tando na Europa como na América do Norte e América
Latina.
Diante dessa enxurrada de produções musicais, distingüir a
boa música árabe de alguns trabalhos flagrantemente medíocres
não é uma tarefa difícil, principamente quando nos referimos à
música percussiva árabe. Criou-se erroniamente um certo dilema
de que o bom derbakkista é aquele que toca com extrema
rapidez.
Ora, partindo deste infundável pressuposto, alguns
“bons percussionistas” mostram em seus trabalhos solos tão
rápidos que humanamente seria impossíveis de realizar.
Utilizam, para tanto, recursos de estúdio para aumentar a
velocidade das batidas, loops sobrepostos criando enfeites
absurdos, dois ou mais instrumentos dando a entender que se
trata de um apenas, etc...
Acontece que quando se aplicam tal efeito, podemos facilmente
perceber uma certa distorção no som do instrumento. O
importante é não se deixar levar por tudo que ouve na mídia.
Existem muitos "falsos solos de Derbakke". Certa vez,
assiti ao vídeo de uma bailarina que devido a velocidade do
solo, mal conseguia acompanhar na dançar. Isso é muito triste
de se ver. Veja alguns pontos desfavoráveis em um trabalho
musical percussivo:
a-
Repetição rítmica ( Falta de criatividade )
b-
Ecos e
Reverberações exagerados aos solos, criando uma certa
indefinição à execução do ritmo.
c-
Solos
extremamente velozes; humanamente impossíveis de se realizar.
d-
Loops
para criar enfeites.
A artificialidade de
alguns poucos trabalhos, prejudica o iniciante na percussão
árabe que, muitas vezes, se espelha neles para aprimorar seus
estudos e técnicas na percussão. A criatividade, a técnica, o
sentimentalismo e, principalmente, a naturalidade dos solos,
são pressupostos indispensáveis na caracterização da boa
música de percussão árabe.
Características de
um bom Derbakkista
(
Análise prática aos princípios que regem a percussão árabe )
Criou-se um certo dilema de que o bom
derbakkista é sempre aquele que toca com repiques extremamente
rápidos e fortes. É claro que se trata de uma concepção
errônea, sem sentido. Já vi muitos derbakkistas atropelarem
suas batidas no instrumento graças a velocidade absurda. Na
verdade, o percussionista está batucando e não
tocando o derbakke.
Definitivamente, velocidade não é sinônimo de
bom derbakkista ! É evidente que devemos ser velozes, porém,
somente quando a música ou o solo assim exigir.
Um solo de derbakke precisa ter em primeiro
lugar uma seqüência lógica. Eu não posso, por exemplo,
pular de um ritmo lpara outro sem, contudo, harmonizá-los
corretamente. É o que Hossam Ramzy chama de "combinação
rítmica" em sua obra discográfica "Rhyhtms of the Nile
- Introduction to Egyptian Dance Rhythms".
Curiosamente,
quando falamos em sequência lógica estamos nos referindo a uma
dupla analise elementar, vejamos então:
Sequência rítmica = Sucessão de ritmos hamonicamente.
Lógica rítmica = Raciocínio coerente na harmonização de tais
rítmos.
Logo, seqüência
lógica é o mesmo que uma harmonização coerente.
Sabemos que todo
solo de derbakke é fruto de um raciocínio prévio do
percussionista. Não basta apenas sequenciar ritmos, é preciso
também dispô-los de uma maneira lógica, coerente, que acabem
gerando uma música percussiva.
Juntamente com o princípio da seqüência lógica, cabe a
aplicação de um segundo princípio, ou seja, o da Dinâmica
Natural.
Entendemos por dinâmica rítmica o ato de graduar os
níveis de intensidade dos sons - batidas - produzidos em um
ritmo. Já "natural" significa estar sempre em
consonância com a originalidade, o caráter que cada ritmo
possui em particular.
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Princípios que regem a percussão árabe
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Princípios da Percussão àrabe |
Significado |
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Seqüência Lógica
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Ser harmônico e apresentar um raciocínio lógico,
coerente. |
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Dinâmica Natural
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Graduar a intensidade dos sons e respeitar a
originalidade peculiar de cada ritmo |
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Assim, em termos conclusivos, dizemos que um bom derbakkista
deve ser em seu solo:a
- Harmônico, b - Lógico,c - Dinâmico e d - Natural.
Considerações sobre as técnicas
profissionais usadas ao solo de derbakke.
Em resposta a um recente e-mail, falaremos
sucintamente das técnicas usadas pelos derbakkistas mestres em
seus solos percussivos.
Todas essas técnicas elencadas ( tanto neste
site como nas apostilas )são, na verdade, as regras básicas. É
certo de que existem técnicas mais avançadas, que são usadas
pelos mestres da percussão. As técnicas profissionais ou
mestras, diferem-se razoavelmente das técnicas básicas.
Infelizmente, para não ferir a ética ante a
todos os mestres de percussão a que temos contato, não seria
conveniente explicitarmos aqui essas regras diferenciadoras (
geralmente são técnicas abordadas em workshops pagos ). Porem
é de se ressaltar ,que ninguém consegue dominar as técnicas
profissionais sem ,antes, dominar ao máximo as técnicas
básicas (as técnicas profissionais exigem plena familiarização
com o instrumento).
As técnicas profissionais, por serem mais
evoluídas, contribuem muito para uma melhor execução e
definição do ritmo e dos solos. São técnicas que tinge o solo,
tornando-os mais robusto. É por isso que muitas vezes, um
percussionista de nível inferior, ao ouvir determinado solo
não sabe como um certo enfeite fora executado. São enfeites
frutos dessas técnicas e regras dominadas e aplicadas pelos
profissionais.
Devemos comparar tudo a um jogo do xadrez.,
ou seja, uma coisa é aprender os movimentos de cada uma das
pedras , as regras básicas e algumas aberturas, outra, é saber
desenvolver um jogo perfeito que conduza à vitória.
A título de exemplo, o trigêmeo (
Espécie de repique no qual utiliza-se os dedos anular, médio e
indicador da mão esquerda (destros) ou direita (canhotos), que
deverão tocar a borda da Tabla de forma alternada e sempre
nesta ordem apresentada (1ºtoque – dedo anular, 2º toque –
dedo médio e 3º toque – dedo indicador ) sempre de forma
rápida e seqüenciada .) é um movimento que pertence à classe dos toques básicos e
não profissionais ( isto da maneira conforme está explicado ).
Essa forma é considerado básica porque ajuda - torna mais
fácil - o percussionista florear em seu solo. Costumo chamar
o trigêmeo básico de trigêmeo falho, pois raramente
conseguimos tocar o dedo médio na borda do instrumento.
Infelizmente, a grande maioria dos percussionsitas árabes no
Brasil (pelo menos todos os que conheço) utilizam o trigêmeo
básico.
Muitos ainda tendem a usar um certo "repique
floreador" ( para simular o trigêmeo profissional, (que produz
melhor som ) usando a mão esquerda (destros)). É uma forma
interessante, mas também não é adotada pelos grandes mestres.
O problema principal é saber qual a forma
correta - a técnica correta - para se fazer um certo enfeite
na Derbakke. Quando ouvimos, por exemplo, os egípcios Khamis
Henkish e Mahmoud Fadl fazerem um certo enfeite, podemos até
reproduzi-lo de forma parecida ( há mil maneiras de se fazer
), porém, dessas mil, somente uma reproduzira o floreado com
igual perfeição e dinâmica. Todas as outras formas serão meras
simulações desse enfeite e não produzirão a "mesma"
sonoridade. É como solar chorinho no cavaquinho ou bandolim,
ignorando o toque duplo da palheta em cada corda. Dá pra
solar, mas a dificuldade é extremamente aumentada sem a
utilização da referida técnica.
Não podemos apresentar um solo na base das
simulações. O "eu acho que é assim" deve sempre
ser evitado. Eu mesmo já toquei muito por simulação, porém,
sempre busquei saber qual a técnica correta de se reproduzir
um certo enfeite, floreado, repique etc.. . Todas as vezes que
simulava um floreado na derbakke, ficava extremamente chateado
pois sabia que aquilo tornava minha técnica inferior.
O trigêmeo básico é uma espécie de
trigêmeo simulado. Sua utilização, como já disse, é
necessária para facilitar o aprendizado.
Infelizmente, nós não vamos encontrar na
Internet as técnicas profissionais usadas para se tocar
derbakke. O que vemos, geralmente, são as regras básicas,
convencionais. Digo isso não para desestimular, muito pelo
contrário, é para dar ciência de que o estudo e o
aperfeiçoamento precisam ser buscados. Há mais para se
aprender !
Como aprender essas técnicas profissionais ?
Como deixar de simular os enfeites ? Bem, primeiramente
devemos procurar dominar ao máximo as regras básicas. As
regras profissionais ( não simulações ) suprem as necessidades
do músico para com o seu instrumento. Procure ouvir
atentamente percussionistas que realmente dominam a técnica.
Percussionistas que não simulam enfeites. Assista à vídeos
antigos de orquestras árabes clássicas, prestando atenção nos
movimentos do derbakkista ( Os músicos de orquestras clássicas
,principalmente as da época de Abdel Halim Hafez, sempre
apresentam técnicas apuradas e profissionais ).
Estudemos, treinemos muito e não nos deixemos
iludir. Vamos evitar simular técnicas,( se estiver simulando,
procure saber como aquele floreado é feito de forma correta )
evite também tocar com vícios ( fazer o dum com o polegar e
coisas assim )
Quando estivermos treinando, façamos diante
de um espelho olhando atentamente o movimento que estamos
imprimindo às nossas mãos. Os movimentos devem ser suaves e
perfeitos como os de um maestro. Observar a postura também é
importante. Eu particularmente, mesmo após 30 anos de
dedicação, quando penso que se esgotou tudo o que deveria
aprender sobre percussão árabe, sempre, sempre surge algo de
novo. Gosto de dizer que quando não se simula, somos capaz de
fazer ouvir a voz da Derbakke. Certa vez ouvi um célebre
percussionista dizer: "A Tabla é como um animal selvagem,
se eu não domá-la bem, a qualquer momento pode me fugir do
controle".
Como disse no início dessas explicações, não
seria ético expormos aqui os truques e técnicas usadas pelos
percussionsitas mestres na derbakke, mas ficamos à disposição
para tirar possíveis dúvidas pertinentes.
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