Os melhores metrônomos são os digitas, pois
apresentam melhor precisão na marcação e contagem do tempo
rítmico. Os metrônomos mecânicos, justamente por estarem
vinculados ao funcionamento de engrenagem, podem apresentar
pequenas falhas. Não aconselho a utilização de metrônomos para
ambiente Windows, que são postos gratuitamente para download
na internet. Esses programas ,geralmente, apresentam inúmeras
distorções e não são cem por cento confiáveis.
Um bom metrônomo digital, consegue marcar com
precisão uma ampla escala de andamentos, podendo variar, a
título de exemplo, de 30 bpm ( Largo ) a 230 bpm (Prestíssimo
).
Os andamentos ( bpm ) marcados pelo metrônomo,
são escalonados da seguinte maneira:
De 30 bpm a 60 bpm: Largo - Andamento
pausado.
De 60 bpm a 66 bpm: Largueto -
Andamento menos vagaroso que o Largo.
De 66 bpm a 76 bpm: Adágio - Situa-se
entre o Largo e o Andante.
De 76 bpm a 108 bpm: Andante ou Andantino
- Andamento moderado.
De 108 bpm a 120 bpm: Moderato -
Andamento entre o Andantino e o Alegreto.
De 120 bpm a 168 bpm: Alegro ou Alegreto
- Em andamento animado.
De 168 bpm a 200 bpm: Presto -
Andamento com presteza, rapidez.
De 200 bpm a 230 bpm: Prestíssimo -
Andamento que se desenvolve com grande presteza, rapidez.
A marcha de um solo para derbakke, geralmente
possui andamento Alegro.
Os compassos rítmicos marcados por um
metrônomo, a título de nosso exemplo, variam da seguinte
forma: -/4, 1/4, 2/4, 3/4, 4/4, 3/8 e 6/8. São, portanto, as
unidades métricas de tempos que deverão se desenvolver de
acordo com andamento ( bpm ) a que forem submetidas.
Há também os valores das batidas (notas) a
serem especificados. Seus devidos valores são representados
por notas de uma pauta musical. As notas podem representar
uma, duas, três, meia batida etc..
Considerações
sobre notações rítmicas
Qual a importância da notação rítmica nos
estudos de percussão? Bem, sabemos que no mundo árabe existem
cerca de trezentos ou mais tipos de ritmos, incluindo também
suas respectivas variações. É praticamente impossível decorar
todos esses ritmos. Dessa forma, as notações servem de
lembretes caso ocorra um certo "branco" de memória .
Nunca devem ser utilizadas como base nos
estudos de percussão ( entendimento de todos os mestres de
percussão ). O ideal é ouvir o ritmo e perceber a forma
correta de como ele deve soar. As notações rítmicas podem
gerar um certo erro de interpretação, pois, geralmente, é
muito raro estarem em perfeita consonância com a execução real
do ritmo.
Todo ritmo possui o que chamamos nuanças (grau
de força ou de doçura que convêm darmos aos sons), e isso, por
mais perfeccionistas que possamos ser em nossas anotações, não
iremos conseguir representá-lo com perfeita exatidão.
Os
Ritmos Libaneses e suas especificações
O
Ayubb/Zaar
Ritmo de estrutura bastante simplória utilizada
"geralmente" como ritmo introdutório ao solo de Tabla
Árabe. Algumas curiosidades envolvem tal ritmo como por
exemplo a fonte em que fora inspirado.
Acredita-se que o Ayubb é a representação percussiva do
movimento do camelo ou do dromedário. É dessa forma que é
popularmente conhecido como "Ritmo do Camelo".
Ayubb 2/4
DUM tákáDUM Tá...
DUM káDUM Tá...
O
Baladi
De
todos os ritmos o Baladi é sem dúvida o mais comum e o mais
conhecido dos ritmos árabes. Trata-se da versão lenta do
Maqsoum apresentando caracteristicamente dois DUMS em sua
inicial. Existem muitas variações do Baladi.
Baladi 4/4
DUM DUM tákáTá DUM tákáTá táká....
Baladi (Clássica Egipcia) 4/4
DUM DUM ká KÁ DUM ká KÁ táká.....
Observe que
na execução clássica egipcia, existem dois toques com a mão
esquerda (...ká KÁ...) porém é importante ressaltar que a mão
direita não ficará inerte. Precionando suavemente com o dedo
indicador da mão direita o centro da membrana que o ao bater
com a mão esquerda na extremidade da Tabla Árabe, o som será
produzido.
É possível se
executar essas duas variações do Baladi em um mesma música ou
solo? Sim, mesclar essas variações é uma prática muito comum
de se fazer. Quando devo fazer essa mesclagem ? Não existe
critério para isto, cabendo ao percussionista analizar
rapidamente qual variação é a mais adequada e bonita para ser
usada naquele exato momento da música ou do solo efetuado.
O
Karatchi
Curiosamente o Karatchi é um ritmo que de início já nos mostra
sua característica marcante. Inicia-se com um "Tá"(batida
aguda) e não com um "DUM" (batida grave) como os demais ritmos
até então abordados. Sua execução resume-se em uma sequência
de 5 batidas usando alternativamente as mãos e finalizando na
6º batida com o "DUM"
Karatchi
TákátákáTá DUM......
O
Saaid
O
Saaidi, derivado da essência do Maqsoun, é reconhecidamente
bastante similar ao Baladi e amplamente utilizado como ritmo
base na execução de determinadas danças folclóricas árabes
como a Dança da Bengala e a Dança do Bastão. De sua versão
simplificada, é possível se extrair inúmeras variações.
Saaidi (4/4)
DUM Tá tákáDUM DUM tákáTá táká...
DUM Tá tákáDUMDUMDUM tákáTá táká...(3 DUMs)
DUMkáTákátákáDUMkáDUMkátákáTákátáká...(alternada)
O
Ciftetelli
Existem muitas controvérsias à respeito da devida origem desse
ritmo. Alguns acreditam que seja originário da Turquia
principalmente pela etmologia da expressão. Outros porém
acreditam que o Ciftetelli advém da antiga Grécia. De fato,
estas contradições são perfeitamente normais, uma vez que
ritmos grego e turco muito se confundem através do tempo.
Trata-se portanto de um ritmo bastante complexo, deixando o
percussionista livre para apresentar inúmeras variações.
É
usado primordialmente no âmbito da música árabe para
acompanhar solos instrumentais de Tacksim (improvisação) de
instrumentos como o Alaúde, o Kanoun, o Violino etc.. .
Ciftetelli 8/4
DUM tákátá tá tákáDUM tá ká DUM DUM tá
DUM káKÁ DUMKÁ DUM DUM ká
DUM kákátákátá kákátákátá ká DUM DUM TÁ ( Estilo Fuad
Haidamus)
O
Bolero e a Rhumba
Devido a grande semelhança que há entre esses dois ritmos,
trataremos de ambos em um mesmo tópico.
A
Rhumba é caracteristicamente executada de forma mais rápida
que o Bolero, pois sua variação base apresenta exatos nove
toques divididos em intervalos curtos, enquanto que a do
Bolero, apresenta doze toque em intervalos mais longos, como
podemos observar:
Bolero 4/4
Dum kákáTá kákáTákáTákáDum Ká
Rumba/Rhumba 2/4
Dum tákátá Ká Tá Ká Dum ká
O
Zaffa
Semelhantemente a uma marcha, o Zaffa é um ritmo batante
executado nos países do norte africano (Saara) principalmente
no Egito. Caracteristamente sua forma simples, da a
possibilidade de se extrair inúmeras variações É importante
ressaltar que ao final de cada período executado, deve-se
fazer uma pequena pausa, observe:
Zaffa 8/4
DUM tákátá tá DUM tá tá (pausa)
Essa pausa
é uma caracteristica marcante em tal ritmo não podendo
portando ser suprida. Existe a possibilidade de se unir dois
perídos, adicionando ao intervalo uma batida "tá", porém no
final, a pausa é imprecindível. Veja o exemplo:
DUM tákátá tá DUM
tá tá tá DUM tákátá tá DUM tá tá (pausa)
O
Karsilama
Ritmo bastante conhecido na Turquia e Grécia . É utilizado no
acompanhamento de músicas de natureza folclóricas. Sua
característica marcante se acentua pelas três batidas fortes
(T – T – T), no final de cada sequência. Observe:
Karsilama (compasso 9/8 )
DUM tákáTá tákáDUM TáTáTá
O
Saudi/ Khaleegy
O
ritmo Saudita também é conhecido pelo nome de Khaleegy,
recebendo essas duas denominações na Região Geográfica do
Gôlfo Pérsico, fronteira com o Reino na Árabia Saudita.
Trata-se de um ritmo bastante simples, apresentando 2 DUMs na
sua forma estrutural. Deste ritmo nascera folcloricamente a
Dança do Khaleegy ou Dança do Golfo.
Saudi/ Khaleegy (compasso 2/4)
DUMkákáDUMkákáTáká...
(Sequência sem intervalos)
DUMkákáDUMkákáTÁká... (Inserção da batida "TÁ")
DUM Ká DUM kátáká..( Representação com intervalos curtos).
O
Nawwari
Pode-se dizer que o Nawwari é um ritmo Sírio-Libanes, uma vez
que é bastante conhecido e utilizado em danças nos paises da
Síria e Líbano.
Nawwari ( compasso 4/4 )
KáDUM kákáTá DUM kákáTá káTá....
O
Basiit, o Btayhi e o Quddam.
O
Bassiit apresenta em sua forma estrutural grande similaridade
com o ritmo Bolero e / ou o ritmo Rhumba. Observe:
Basiit 6/4
DUM ká DUM tákáTá ká tá ká DUM ká tá ká.....
Observemos agora o ritmo Btayhi, cuja estrutura apresenta
quase que uma constante de toque alternativamente iguais:
Btayhi 8/4
Tá ká Tá ká DUM tákáTá ká tá ká DUM ká Tá ká DUM ká......
O
Cocek / Serto
Na
antiga Macedônia, hoje região onde geograficamente se localiza
o pais da Romênia, "Cocek" é a sua denominação. Já na Grécia,
é conhecido pela denominação de "Serto" onde é usado em danças
folclóricas.
Cocek
/ Serto ( compasso 4/4 )
DUM tátá táTáka....
O
Jark
O
Jark ou Jerk, é um ritmo que apresenta uma estrutura bastante
similar ao Samba brasileiro.
Jark (Compasso 4/4 )
DUM Tá DUMDUM Tá...... (variação simples)
DUM kákáTá tákáDUMDUMtákátá táká.......
O
Sombati
Famoso Ritmo também extraído da essência do Maqsoum.
Curiosamente vemos o Sombati ser executado por grandes
orquestras ocidentais, em composições relacionadas ao mundo
árabe.
Podemos citar como um bom exemplo o tema do filme Lawrence da
Arábia, onde se observa nitidamente o Sombati usado como ritmo
base. Outra curiosidade interessante é esse ritmo representar
o trote de um cavalo em ritmo de marcha.
Nas canções típicas árabes, é utilizado também no
acompanhamento de Tacksim ( improvisação) intrumental ou
vocal.
Sombati (compasso 4/4)
DUM Tá Tá DUM Tá......( simples )
DUM káTákáTá DUM kákáTá táká......(alternada)

SOLO DE TABLA ÁRABE ( O TACKSIM )
Considerações Iniciais
Destinado em sua totalidade para execução das danças árabes, o
solo de Tabla Árabe possui alto grau de importância dentro da
esfera do Middle Easter (Oriente Médio). Veremos que existem
solos específicos para ocasiões específicas. Obviamente, é
praticamente impossível falarmos de percussão árabe sem
fazermos alusão à Dança do Ventre. Percussão e Dança do Ventre
estão intrinsecamente ligados, e é por isso que comumente
vemos bailarinas que também são derbakkistas.
Em
verdade toda bailarina é intuitivamente uma percussionista,
justamente tanto pelos Snujs, amplamente tocado nas danças,
quanto pela necessidade de se familiarizar com os ritmos
árabes para bem executar a arte da dança .
Feita essas considerações, façamos agora uma pergunta: O que
uma Bailarina de Dança do Ventre espera de um solo de Derbakke
? Obviamente que seja riquíssimo em ritmos e variações para
que ela possa mostrar seus conhecimentos na arte da Dança.
Dessa maneira, o percussionista tem a responsabilidade de
fornecer subsídios à bailarina para que esta assim possa se
apresentar . É por isso que corretamente vemos expressões
pontificando a necessidade de uma perfeita sintonia harmoniosa
entre percussionista e bailarina. O problema é como e de que
forma fornecer tais subsídios.
Existem algumas regras básicas que um percussionista deve ter
em mente para apresentar um belo solo de Derbakke.
Primeiramente deve-se evitar abusos em enfeites que devem
sempre ser realizados em momento oportuno. Isso vale tanto
para um solo de derbakke, como para um acompanhamento musical.
Deve-se prestar atenção no compasso inicial de seu solo. É
muito comum observar percussionistas que iniciam um
determinado solo e gradativamente vão aumentando a velocidade
inicial. Geralmente tal erro acontece com quem abusa nos
enfeites.
Tocar de forma muito acelerada também é um erro bastante comum
e grave. Criou-se erroniamente um certo dilema que todo bom
percussionista árabe é aquele que toca com extrema rapidez. Na
realidade, o bom percussionista árabe é aquele que toca
conscientemente, sentindo a sua percussão e passando nela sua
emoção que será transmitida de imediato à Bailarina que
estiver se apresentando sob tal solo.
Tipos de Solos
Todo solo de Tabla Árabe é fruto de uma improvisação criada
exclusivamente pelo percussionista. É o que chamamos de Taksim
Tabla, ou seja, uma improvisação "melódica" feita através das
batidas rítmicas da Tabla Árabe.
Existem duas maneiras de se apresentar um solo de Taksim: O
Taksim sobre ritmos e o Taksim solo
O
Taksim sobre ritmos árabes é a improvisação realizada tendo
como base um determinado ritmo ou vários ritmos, feito por um
segundo instrumento ( Tabla, Riqq, Dohollah, Mazhar, etc ).
Curiosamente, esse tipo de solo limita os movimentos da
Bailarina ao ritmo base. É por isso que essas composições
devem apresentar uma pluralidade rítmica sob pena de se
transformar em algo monótono, com improvisações repetidas e
cansativas .
O
Taksim sobre ritmos é utilizado tanto nas apresentações de uma
Bailarina quanto num grupo, durante apresentação coreografada.
Neste caso, deve-se diminuir tal pluralidade rítmica, para não
se potencializar grandes complexidades.
Já
o Taksim solo ou improvisação solo é aquela realizada somente
pelo percussionista não tendo como base nenhum ritmo. Impera
grande complexidade onde percussionista e bailarina devem
estar em perfeita sintonia. Inúmeros ritmos e variações são
apresentados em um curto espaço de tempo, mesclados por vários
enfeites improvisados.