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A história do
Solo de Tabla no Brasil.
Segundo dados históricos, o primeiro "tabla solo" foi
apresentado no Egito pelo percussionista Ahmed Hammouda,
que desenvolveu uma técnica consistindo na combinação
precisa de ritmos folclóricos árabes(geral) e egípcios
(específicos) para as apresentações de Nagwa Fouad (a
princesa do Cairo).
Há, porém, uma segunda corrente que afirma ser
o "tabla solo" de autoria do percussionista libanes
Jamil Flewar, que apresentou os principais rudimentos que
se tornariam modelo a todos os demais percussionistas que se
seguiram.
Shahrazad Sharkey - Solo de Tabla criado para suas
apresentações. |
Já
no período de Souhair Zaki, destacou-se o
percussionista Hosni Wattatak (egípcio), que muito
difundiu a arte do solo de tabla em seu tempo.
No
Brasil, a arte do solo de tabla ou derbakke surgira em caráter
oficial há aproximadamente 40 anos atrás. O primeiro tabla
solo surgiu em meados de 1970, pelas mãos do percussionista
libanês Fuad Haidamus, Mestre e pioneiro da percussão
árabe no Brasil. Haidamus, que iniciou seus estudos de
percussão aos 15 anos de idade no Líbano, inspirado em
Jamil Flewar, seu antigo grande Mestre
libanês de derbakke, apresentou o que chamou de "derbakke
solo" ou "solo da derbakke".
Fora criado especialmente para as apresentações da notável e
lendária Bailarina Shahrazad Sharkey ( Madeleine
Iskandarian ), Dama e Pioneira da Dança do Ventre no Brasil,
que passara a se apresentar com frequência no restaurante
Bier Maza no ano de 1979. Curiosamente, São Paulo é o
berço tanto da Dança do Ventre quanto da Percussão Árabe no
Brasil.
Fuad Haidamus (1920 - 2002) - Criador do solo de tabla
ou derbakke no Brasil. |
U tilizando o Daff como instrumento base, muitas vezes tocado
pelo músico Emílio Bunduki, Haidamus apresentou o solo de
tabla clássico ou convencional, introduzindo o "estalo"nas
finalizações das frases rítmicas (Maqsoun (4/4), Ayubb (2/4) e
Malfuf ou Leff (4/4)). A técnica inédita de Haidamus,
apresentada no pequeno palco do extinto restaurante Bier Maza,
passou a ser copiada posteriormente por quase todos os outros
músicos no Brasil, isso a partir da década dos anos 80.
Ainda na década dos anos 70, o solo e o
acompanhamento na tabla passaram a ser difundidos em rede de
televisão brasileira por Haidamus, através do extinto programa
denominado "Programa Árabe na TV", veiculado
pela Rede Gazeta de Televisão. Neste mesmo período, Fuad
Haidamus e seu irmão, o Mestre Alaudista Jorge Aidamus,
tocaram na novela "O Astro" da Rede Globo de
Televisão (1978), despertando ainda mais o interesse dos
brasileiros à música árabe e sua percussão.
Fuad Haidamus também foi o primeiro músico a
desenvolver e apresentar o solo livre de tabla, ou seja, sem
acompanhamento base. Na atualidade, essa técnica vem sendo
muito explorada por percussionistas brasileiros .
N a década dos anos 80, o solo da Tabla ou da
Derbakke passou a ser um dos pontos chaves nos shows musicais
ao vivo. Durante as apresentações de Nabil Nagi,
considerado o alaudista que deu uma nova roupagem às
apresentações ao vivo no Brasil, o solo de derbakke para a
apresentação de bailarinas e rodas de dabke tornou-se comum.
Nesse período, muitas baliarinas foram descobertas
artisticamente. Recordamos, ainda, que as Derbakkes em pele
sintética ou artificial só passaram a ser utilizadas em shows
neste país a partir dos anos 90. Em meados de 1995, Fuad
Haidamus terminara em caráter definitivo a produção de
Derbakkes tradicionais, em cerâmica e pele de cabrito.
Goiás - Nabil Nagi durante show em
1986 (Aquivo de vídeo histórico) |
Até
nossos dias, as apresentações musicais ao vivo seguem os
mesmos moldes apresentados por Nabil Nagi, contendo dança
do ventre e rodas de dabke como é possível de observar nos
mais diversos vídeos históricos da época.
Pois bem,
é
certo que desde sua invenção, o solo de tabla pouco evoluiu. A
repetição sistemática de repiques improvisados e combinados
inseridos a uma curta frase rítmica, se tornou a grande
característica dessa arte e é o estilo ideal para a prática da
dança do leste ( dança do ventre ). Quando trabalhado com
precisão, o solo da tabla emociona muitos sem exceção.
A parentemente
semelhantes, cada solo se apresenta como um novo desafio para
quem dança. Trata-se, portanto, de uma renovação constante e
infinita.
Mesmo após ter surgida no Brasil há mais de 30 anos atrás, a
técnica trazida por Haidamus ainda permaneceria inalterada em
todos os shows que possamos ver atualmente. Para Vitor Abud
Hiar, a inovação se deu apenas quanto a inserção de outros
instrumentos além do Daff ( Mazhar, Doholah, Bendir ) à
percussão base, e nada mais.
A percussão
árabe contemporânea no Brasil.
No
ano de 1995, O pioneiro Fuad Haidamus havia terminado em
definitivo a produção de derbakkes em cerâmica e pele de
cabrito ou peixe. Lojas especializadas, passaram a importar
derbakkes em alumínio fundido e membrana artificial do Egito,
Líbano e Síria. Haidamus afastou-se dos palcos devido a idade
avançada; outros importantes nomes também fizeram o mesmo, por
motivos particulares.
Os
teclados eletrônicos, frutos da nova era modernizada,
tornaram-se uma boa opção para "substituir"o tradicional
alaúde ( instrumento de complexidade técnica ) nas
apresentações, facilitando significativamente a formação de
conjuntos árabes independentes. Com os anos que se seguiram,
ante a aparente falta de registros da nossa história musical,
anti-históricos passaram a ser difundidos ligados à febre do
estrelismo , obstruindo a continuidade dos fatos históricos e
atentando diretamente contra o nome e o trabalho de nossos
célebres pioneiros musicais.
(continua em breve...)
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