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Fuad Haidamus e a
história completa sobre a origem das
Tablas Árabes no Brasil.

Fuad Haidamos
empunhando uma darbuca turca (1958). |
Neste artigo, venho comentar em detalhes a
origem das primeiras derbakkes no Brasil,
relembrando importantes pontos sobre a história
do pioneiro Fuad Haidamus.
Conforme narramos no "Tributo a Fuad Haidamus" -
O período Pré-Pioneiro da Música Árabe no Brasil,
muitos músicos de origem turca e árabe aqui
estiveram ( a maioria amadores ), por vezes a
convite feito pela comunidade árabe ainda em
histórica formação. O Brasil, na verdade, se
tornou um importante refúgio para muitos ante ao
acirramento dos conflitos armados que, nesse
período, acercava Damasco - capital da Síria - e
regiões vizinhas.
Nesse período, destaca-se o Clube Homs,
fundado em 1920 e responsável por patrocinar
alguns espetáculos de música oriental destinados
exclusivamente a um seleto auditório.
A "música árabe" no Brasil ainda estaria numa
fase experimental, contendo pontos de
descaracterização (principalmente na percussão).
Curiosamente, se verificarmos imagens desse
período, os percussionistas que aqui passaram
não se apresentavam com derbakkes originais, mas,
sim, versões em alumínio ou níquel da darbuka -
instrumento tipicamente de origem turca (não
árabe), com cintura afilada e bocal alargado.
Evidentemente, a "música árabe" apresentada nos
clubes, por consequência fática, carecia de
maior originalidade. Uma outra característica
seria a formação desses músicos no palco, que
muito se assemelhava a um ensemble turco
clássico, e não árabe.
Haidamus, que iniciou seus estudos de percussão
em 1935 inspirando-se no seu mestre libanes
Jamil Flewar , possuía em seu acêrvo uma
legítima tabla árabe, feita em cerâmica e pele
de cabra, contudo, raramente a utilizava em suas
apresentações. Uma das problemáticas estava na
alta fragilidade do instrumento, principalmente
durante o transporte. Obstantemente, Haidamus,
nos primórdios tempos, mesmo quando formou
conjunto com o alaudista Wadih Cury (que mais
tarde se tornaria o primeiro conjunto
tipicamente árabe do Brasil), também se viu
obrigado a utilizar por algumas vezes darbukas
niqueladas (vide foto à esquerda).
Haidamus, que iniciou seus estudos de percussão
em 1935 inspirando-se no seu mestre libanes
Jamil Flewar ,possuía
em seu acêrvo uma legítima tabla árabe, feita em
cerâmica e pele de cabra, contudo, raramente a
utilizava em suas apresentações. Uma das
problemáticas estava na alta fragilidade do
instrumento, principalmente durante o transporte.
Obstantemente, Haidamus, nos primórdios tempos,
mesmo quando formou conjunto com o alaudista
Wadih Cury (que mais tarde se tornaria o
primeiro conjunto tipicamente árabe do Brasil),
também se viu obrigado a utilizar por algumas
vezes darbukas niqueladas (vide foto à esquerda).
Haidamus dizia ser raro alguém que
definitivamente soubesse diferenciar a darbuka
turca de uma tabla árabe ou derbakke.
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Derbake
de Fuad Haidamus - 1986 |
Comentário: "Até mesmo nos dias atuais ainda
persiste essa dificuldade. A Darbuka turca é um
instrumento totalmente diversificado e com som
bastante característico. Havia e ainda há no
Brasil, uma grande incultura sobre esse assunto,
inclusive dentro da própria Comunidade Árabe".
Com o avanço de mais alguns anos, a música árabe
começaria a sofrer algumas modificações. A
derbakke, que até
então era utilizada timidamente nas orquestras
tradicionais árabes - no estilo al tarab
- passou a ganhar maior destaque,
principalmente com o advento das apresentações
dançantes de bailarinas célebres como Nagwa
Fouad; floresce o estilo percussivo "Raks".
Graças a sua inquietude e genialidade, Fuad
Haidamus decidiu utilizar somente derbakkes em
suas apresentações, pois as Darbukas já não
conseguiam proporcionar, ou imitar, o som
legítimo de uma tabla árabe de cerâmica frente
às exigências do novo estilo percussivo.
Contudo, para que o transporte desse instrumento
fosse viável, Fuad Haidamus desenvolveu um
estojo especial e totalmente inédito - isso, no
final dos anos 60 - todo feito em madeira e
revestimento interno de espuma de várias camadas.
Este estojo nos foi dado de presente por
seu próprio criador no ano de 1979.

Fuad Haidamus com a
Derbake (anos 70) |
Assim, Fuad Haidamus passa a ser considerado o
primeiro Derbakkista do Brasil (o legítimo
pioneiro), iniciando ,desta maneira, o processo
de implantação e difusão da percussão
originalmente árabe. Mesmo em tempos
menos remotos, as pessoas ficavam maravilhadas
com o som potente do instrumento e com sua
técnica extremamente ágil. Como Fuad e Wadih
Cury passaram a tocar nos restaurantes Beer Maza
e Porta Aberta, contempla-se que a genuína
música árabe nasceu oficialmente nos
restaurantes orientais da época.
Com o início dos trabalhos de Shahrazad
Sharkey, a pioneira da Dança do Ventre no
Brasil, Haidamus desenvolveu também de forma
inédita o solo de derbakke, que fora
especialmente projetado para suas apresentações
de dança do ventre. Por essa razão que, num
período posterior, Haidamus presenteou Shahrazad
com um de seus instrumentos.
Como Fuad até então possuía apenas um
instrumento, precisou obrigatoriamente criar um
suporte especial de 4 braços reguláveis, que
permitia afiná-lo (com o uso de uma lâmpada spot
- idéia também de Fuad Haidamus) mesmo em pleno
uso. Após a publicação de imagens da técnica
utilizada por Fuad no Brasil desde 1960, por
coincidência ou não, muitos músicos (nacionais e
internacionais) foram fotografados com derbakkes
munidas de lâmpadas para afinação. O uso da
lâmpada incandescente, ressaltamos, foi uma
idealização do percussionista libanes Jamil
Flewar (mestre de Haidamus).
"Comentário: Em países como Líbano e Síria,
era comum o percussionista levar consigo dois
instrumentos. Enquanto afinava um instrumento,
utilizava o outro. No caso de Haidamus, tal
prática seria impossível".
A produção de Derbakkes, contudo, ocorreu mais
alguns anos depois. Em viagem ao Estado do Pará,
Fuad Haidamus conheceu toda a atividade
ceramista ali praticada. Considerando tais
trabalhos da mesma qualidade daqueles feitos no
Egito, solicitou que fossem feitas réplicas de
seu instrumento particular. Tais peças,
confeccionadas por Haidamus, foram postas à
venda nas mais importantes lojas de instrumentos
musicais de São Paulo.
A partir desse ponto, a Derbakke, instrumento e
percussão típico do mundo árabe, começa a ser
conhecida e ganhar adeptos. Em meados de 1990,
com o início das importações feitas por lojas
especializadas da comunidade, Haidamus, já
adoentado, deixou gradativamente tal produção.
É por essa razão que, incontestavelmente, Fuad
Haidamus acumulou durante sua vida diversos
títulos na história da música árabe no Brasil: "Pioneiro
da Percussão Árabe", "Pai do rítmo e dos
tambores árabes ", "Pioneiro do Solo de Derbakke"
e "Pioneiro do estilo percussivo "Raks"".
Para saber mais sobre a história das primeiras
derbakkes no Brasil, leia o artigo:
"A História da Percussão Árabe no Brasil: As
primeiras Derbakkes de terracota e eus grafismos".
Para ver imagens de todos os objetos citados
nesse artigo, visite:
"Tributo a Fuad Haidamus- 2ª Parte"
Vitor Abud Hiar
Breve resumo sobre Música Árabe Clássica no
Brasil, a "baladi", a importância da
interpretação e suas maiores Estrelas do Mundo
Árabe.

Histórico LP da "Voice of Lebanon"
com o título "Festival Folclórico
Libanês"; canções tradicionais
interpretadas pelos lendários Wadih
Al-Safi e Sabah Fakri, grandes
mestres intérpretes da música árabe
clássica. Fabricado por som
Indústria e Comércio - Rio de
Janeiro - Final da Década dos anos
60 ( Editora Sayad ). |
Clássico é tudo aquilo que teve seu valor posto
à prova do tempo e, por ser da mais alta
qualidade, se perpetuou. Na música árabe,
clássico é e sempre será nossa maior escola, ou
seja, nosso maior referencial.
É praticamente impossível compreendermos a
música árabe sem, antes, conhecermos mais de
perto sua essência clássica, isso desde os
tempos mais primórdios. Se as primeiras mídias
de música árabe tivessem realmente surgido no
Brasil há 10 ou 20 anos atrás, teríamos,
certamente, uma monumental deficiência
principalmente no que se refere ao entendimento
do "clássico interpretativo".
E
certo que ficaríamos confinados praticamente à
referências do nosso tempo, o que certamente
seria algo bastante prejudicial; não teríamos
base
suficiente para um lapidado aprimoramento de
nossa cultura musical.
Ao contrário do que se tinha conhecimento até
então, a intronização, o conhecimento e o estudo
da música árabe clássica neste País não é algo
tão recente assim. Verificando a acervo
histórico de discos da Família Haidamus,
seguramente um dos mais completos deste País, é
possível encontrar verdadeiras raridades, com
gravações lendárias e extraordinárias dos
maiores compositores e mestres da interpretação
clássica. O acervo conta com obras
comercializadas no Brasil entre as décadas de
30,40,50,60,70 e 80.
IInfelizmente, o puro clássico da música árabe
está se tornando algo muito raro nas mídias
atuais. Contudo, ainda épossível encontrarmos
com um pouco de facilidade algumas antigas
gravações originais de Abdel Halim Hafez, Um
Kulthum e Farid Al Atrache.

LP de Um Kulthum da Sono Cairo
lançado no Brasil entre os anos de
1969 - 1970 |
Clássicos orquestrados como as canções
tradicionais Bagdad, Cairo, Rasan, Nahid, Lybia,
Tounis, Nagwa,Souhair, Jordania, Bairouth,
Damasco, e Hazih Leilati, já se tornaram
seguramente grandes relíquias do mais alto valor
histórico. Essas canções ainda podem ser ouvidas
nas mais diversas rádios clássicas
internacionais do mundo árabe.
Ressaltamos que dentre os nomes artísticos que
citaremos aqui, muitos deles já não mais são
encontrados para realização de pesquisa. Tratam
de músicos e cantores que atuaram entre as
décadas de 1930 a 1950, lapso de tempo que esta
pesquisa irá abranger. Aos interessados em
aprofundar um pouco mais seus conhecimentos,
trazemos de volta através de um breve resumo
parte do puro clássico da música árabe, gravado
na memória histórica e cultural da Comunidade
Árabe no Brasil.
Seria correto afirmarmos que clássico é o mesmo
que baladi ? Bem, é notório que os grandes
compositores da música árabe clássica ou
tradicional sempre buscaram no tradidicionalismo
regional elementos, dados, subsídios
fundamentais à criação de suas canções.
Pois bem, se analisarmos mais de perto o
significado que abrange a expressão "baladi",
isso, claro, no âmbito da cultura libanesa,
vamos notar que há consubstaciado no termo três
elementos que juntos ou separadamente,
demonstram claramente seu significado, vejamos:
Os compositores da música árabe clássica sempre
buscaram abranger e exaltar em quase todas as
suas obras, pelo menos um desses três elementos
que compõem o sentimento da baladi:
Nossa Aldeia =
é o
orgulho de nossa terra natal, dos costumes
tradicionais existentes alí, dos amores que lá
tivemos e deixamos, o desejo de um dia lá
retornarmos etc.. .
Nossa Glória =
é o
orgulho por nossas vitórias no campo de batalha,
nossas conquistas bélicas.
Nossa Independência =
é o
orgulho de nossa soberania; é o orgulho da
liberdade, do respeito e do reconhecimento que
conquistamos perante outros povos, outras etnias
em todo o mundo.

A Cantora Egípcia Um Kulthum -
Trabalho de Edward Arida (1970) |
Na música árabe moderna, por sua vez,
diferentemente da música clássica, há de forma
muito clara a influência do movimento "pop" (música
originalmente anglo-norte-americano), que nada
mais é do que a modernização dos elementos
folclóricos, como no blues, no rock e na música
country. O "pop" reflete nitidamente o
gosto popular típico da cultura urbana ocidental
do século XX.
É
por essa razão que, como já dissemos no início
deste trabalho, utilizar somente referências do
nosso tempo para estudo da música árabe clássica
é algo insatisfatório e, muitas vezes,
prejudicial. O "pop", presente na habitualidade
interpretativa de muitos músicos contemporâneos
(modernização, como dissemos, dos elementos
folclóricos), acaba sempre sendo "respingado"
até mesmo na interpretação de composições
clássicas, seja em maior ou menor grau de
intensidade.
Pois bem, quando assistimos às apresentações de
Um Kulthum, célebre cantora egípcia, podemos
claramente notar que sempre se apresentava com
vestimentas de grande luxuosidade. Muitos me
perguntam se estaria ela, de alguma forma, se
distanciando da simplicidade que abarca o
tradicionalismo regional árabe.
Bem, ocorre que Um Kulthum potencializou ao
máximo o grau interpretativo; sua voz conseguia
facilmente atingir os corações de todos que a
ouviam cantar, gerando, dessa forma, uma
verdadeira ponte entre o passado e o presente
sentimental.
Não era raro, nas milhares de apresentações que
fez, se ver "obrigada" a repetir várias vezes a
mesma canção com a mesma ênfase, atendendo
sempre o clamor de uma platéia maravilhada e
emocionada. Isso, como pode ser facilmente
notado em milhares de vídeos históricos das
maiores cantoras árabes que se seguiram, acabou
se tornando uma verdadeira tradição, graças a Um
Kulthum.
Conhecida como a voz mais bela do Cairo, Um
Kulthum nasceu em 1904 numa pequena aldeia do
sul do Egito. Criou um gênero próprio e novo de
cantar que, posteriormente, passou a inspirar a
grande maiorias das cantoras que se seguiram.
Gravou ao vivo inúmeros trabalhos tanto em
discos de 78 rpm como em LPs. No Brasil, várias
coleções suas foram lançadas pela Ariphone até o
início dos anos 80. Morreu em 1975.

O compositor e
violinista Abboud Abdolhal |
Um outro importante nome da música árabe, porém
menos conhecido, fora o do célebre compositor e
violinista Abboud Abdolhal. Historicamente,
creditam que ele tenha imortalizado o solo do
Violino (Kamanja Taksim) nas canções árabes.
Grande mestre na interpretação instrumental,
transmitia através de seu instrumento acústico
um sentimentalismo realmente excepcional.
Dentre os trabalhos discográficos de Abdolhal
lançados no Brasil pela Ariphone - tradicional
neste País já na década dos anos 50 - podemos
citar o LP "Contos e Melodias Orientais", que
apresenta a música "Racsat Alhauriat" cuja
autoria é também de Abdolhal.
Em toda orquestra árabe, o alaúde é, sem sombra
de dúvidas, um instrumento imprescindível. Pai
do Violão e avô da Guitarra, como bem nos ensina
Prof. Said Azar, é, depois da voz humana, o
instrumento da mais bela sonoridade. O alaúde
personifica o princípio máximo da interpretação
na esfera musical árabe.
Prof. Elia Baida pode ser seguramente
considerado um dos mais antigos e célebres
cantores e alaudistas da música
árabe clássica. Fora um dos mais talentosos
mestres na interpretação de todos os tempos,
tendo como característica marcante a busca
constante ao baladi puro e sentimentalista.
Deixou repertório de várias músicas tradicionais,
todas em discos de 78 rpm. Gravou pela Baida
Records e Araphon.
Dentre as milhares de músicas interpretadas por
Elia Baida, podemos citar "Kanly
Ghazal","Belghadr","Men Iaum

Elia Baida |
Fergak" e "Ianas
Mali", gravadas pela famosa Baida Records que,
já na década dos anos 50, era considerada uma
marca de grande tradição. Na atualidade, suas
gravações realizadas são verdadeiras
preciosidades da música árabe clássica (ouça
um pequeno trecho da canção "Belghadr",
interpretada pelo Prof. Elia Baida)
Outros importantes mestres alaudistas que se
seguiram foram os célebres Profs. Mohamed
Abd-el-Wahab e Farid el-Atrache (citado
anteriomente). Ouvir suas obras é algo de
fundamental importância para todos que desejarem
entender a música árabe na sua mais pura
essência interpretativa e sentimentalista.
Nascido em 1929, Abdel Halim Hafez é considerado
um dos maiores gênios compositores de todos os
tempos, além de ser seguramente um dos artistas
mais conhecidos e citados em todo o mundo. Fazia
questão de reger sua própria orquestra durante
as apresentações. Dentre suas mais belas obras
clássicas, citaremos aqui a canção Sawad que,
com uma nova roupagem interpretativa, passou a
ser uma das canções mais apresentadas em shows
de Dança do Ventre em todo o mundo.
Falaremos rapidamente de uma das mais belas
vozes do Líbano: A cantora Asmahan.
Irmã do Grande Alaudista e Compositor Farid Al-Atrache,
Amal Al- Atrache (nome de batismo de Asmahan (não
podemos confundir com a Bailarina Asmahan) )
nasceu em 1918 e morou no Líbano até 1920
respectivamente.
Quatorze
anos mais nova que Um Kulthum, tinha uma voz tão
esplendorosa e magnífica quanto essa. Muitos
afirmam que, se Um Kulthum elevou o canto
clássico árabe à beira da perfeição, a
interpretação de Ashman eriqueceu a música árabe
abrindo uma janela à música do Mundo Ocidental,
sem, contudo, descaracterizar as notórias
diferenças fundamentais existentes entre esses
dois tipos de música.
Asmaham morreu tragicamente em um acidente de
carro durante a 2ª Guerra Mundial, empreendida
entre os serviços secretos no Cairo.

Asmaham |
No Brasil, foram lançados já em LPs alguns
trabalhos de Asmahan pela gravadora Ariphone.
Várias música célebres chegaram até nos como:
Asquiniha Biabi, Nauet Adari, Laita Lilbarak, Ia
Habibi Taala, Farak Ma Bena e Ia Tiur.
Fica evidente que a Música Árabe Clássica
existiu, influenciou e sempre esteve presente no
âmbito da Comunidade Árabe.
Brasileira desde os tempos mais remotos. Não é,
como muitos pregam, algo que há pouco tempo
estava distante de nossa realidade e
entendimento.
Este trabalho cultural mostra-nos através de um
brevíssimo resumo, parte dessa Memória Musical e
e em que grau fora realmente plantada neste
País.
Muitos trabalharam para que esse fato pudesse
acontecer, e a todas essas pessoas ficará aqui
nossa singela homenagem.
Terminaremos com uma citação feita por um antigo
e conhecido professor alaudista: "Estudar
música árabe clássica é viajar pela arte da
interpretação musical na sua mais pura e genuína
essência".
As filosofias
na Percussão árabe ( As doutrinas das grandes
escolas de percussão).

Detalhe de Ruínas Romanas em Baalbek
- Libano. Gravura de Edward Arida -
Brasil 1970. |
Certa vez, estava conversando com um derbakkista
não brasileiro, e ele me dizia sobre seus
trabalhos e estudos na percussão árabe. Por
curiosidade, perguntei a ele qual era a
filosofia que regia seus estudos de percussão.
Prontamente, me respondeu que sua filosofia era
a melhor possível.
Me disse que era uma pessoa esforçada e que
estudava percussão todos os dias. Essa era sua
filosofia. Bem, creio que esse músico não tenha
entendido bem minha indagação. Estava me
referindo às filosofias doutrinárias de
interpretação e técnica rítmicas, ensinada nas
escolas árabes de percussão, sendo a CLÁSSICA
EGÍPCIA e a SÍRIO-LIBANESA as principais delas.
Há diferenças entre essas duas escolas ? Elas
são importantes ? Bem, há diferenças teóricas
entre essas duas escolas, principalmente no que
se refere ao melhor uso das técnicas de
percussão e suas respectivas interpretações no
trabalho das nuanças sonoras. Outra importante
diferença se dá quanto à nomenclatura dada aos
instrumentos percussivos.
Consubstancia-se , também, na linha de
raciocínio que um professor deve seguir para
ensinar seus alunos. Toda a aula será
desenvolvida tendo como base a doutrina adotada.
É claro que tudo isso se trata de uma questão
complexa pois, por serem escolas irmãs, ou seja,
nascidas de uma mesma fonte originária, também
apresentam claramente filosofias "semelhantes".
O importante é termos em mente de que não se
trata de uma coisa só.
O princípio de que as peles naturais produzem
melhor qualidade sonora vem da tradicionalidade
egípcia. No Líbano, a tendência de se
estabelecer um certo modernismo à percussão é
bastante acentuada - uso de peles artificiais em
todos os instrumentos - mas ressaltamos que
ainda há aqueles que preferem manter-se na
tradicionalidade original.
Entre essas duas grandes escolas irmãs, prefiro
particularmente a Clássica Egípcia justamente
por estar envolvida por uma redoma de
complexidade e tradicionalidade. A escola
clássica ou tradicional, trabalha com elementos
que exigem mais do músico, principalmente no que
se refere ao uso do sentimentalismo
interpretativo (opinião particular). Nenhum
músico pode desenvolver sua técnica sem antes
optar por quais doutrinas seguir.
Quando ensinamos, devemos também seguir os
princípios teóricos de uma dessas duas
importantes escolas. Isso é importante porque
daremos ao aluno base suficiente para seguir por
si só seus estudos, podendo, inclusive, se
corrigir nos casos mais comuns e, por que não,
nos de média complexidade. Quando isso não
acontece, o aluno irá prosseguir persistindo nos
erros, pois não possui uma boa filosofia de
percepção rítmica. Ele não conseguirá enxergar
suas falhas e, por conseqüência, deixará passar
batido.
A sensibilidade auditiva também é um dos pontos
chaves que devemos saber trabalhar. Se não temos
ainda essa sensibilidade, ficará muito difícil
saber com precisão se um ritmo está soando bem
ou mal. Saber ensinar como desenvolver essa
sensibilidade também é importante.
As filosofias das escolas árabes nos remete a um
trabalho paralelo à alma de "baladi". Nos ensina
a ouvir e interpretar os ritmos com o coração,
ou seja, com a alma despida de qualquer
formalidade.
O Mazhar libanês e o Mazhar egípcio (versões).
Seria correto afirmarmos que o Mazhar "sempre"
possui címbalos ? Bem, sabemos que a percussão
árabe se desenvolveu muito nos últimos tempos. O
Egito, por sua vez, sempre foi a maior
referência em termos de percussão no mundo árabe.
É muito comum vermos percussionistas libaneses
preferirem instrumentos confeccionados no Egito.
Pesa o respeito pela tradição e pela técnica
milenar na prática dessa confecção.
Pois bem, com o surgimento das versões
modernizadas dos instrumentos de percussão árabe,
certamente elogiadas por uns e criticadas por
outros, muita coisa nova começou a surgir.
A versão tradicional do Mazhar é confeccionada
no Egito. Trata-se de um pandeiro de diâmetro
grande, contendo um jogo de 5 platinelas grandes
duplas. É tradicionalmente feito com membrana de
cabra, que é colada na borda de seu aro. No caso
da versão moderna do Mazhar Libanes, quando
falamos em mais "utilizável", estamos nos
referindo à sua praticidade dentro da percussão.
Por ter uma membrana removível, podemos utilizar
nesse instrumento peles sofisticadas (naturais
ou artificiais), que possam responder melhor a
todo tipo de afinação. Ideais para gravações ou
shows. Como não possui címbalos, podem ser
tocados de três formas distintas: entre as
pernas, sobre uma das pernas ou da forma
tradicional, que é segurando o instrumento como
um Daff (libanês) ou Riqq.
Aqui vai uma informação realmente importante: Um
músico egípcio pode facilmente reconhecer o
Mazhar libanês como um Daff ou Bendir que,
dependendo de sua circunferência, também pode
ser tocado entre as pernas do percussionista.
O
Mazhar egípcio não é muito visto na percussão
libanesa moderna, mas ainda é utilizado quando
falamos em tradicionalidade. Até mesmo na
percussão egípcia,muitos acreditam que sua
utilização ficou dirimida (Curiosamente, para a
execução do Ayubb (ritmo do camelo), costuma-se
utilizar o Mazhar com címbalos).
Os instrumentos mais utilizados modernamente em
shows são o Derbakke (repique), O Daff (ostentação
e força rítmica) a Dohola (base) e o Bendir ou
Mazhar Libanês (base).
Em opinião particular, acreditávamos que o
Mazhar de címbalos teria sua utilização restrita
na percussão árabe, porém com o advento de sua
versão comtemporânea,
sua utilização acabou, de certa forma,
ganhando destaque novamente.
O autoditada na percussão árabe.
Autodidata é todo aquele que aprende algo por si,
sem o auxílio de um professor. Na música existem
vários autoditadas, ou seja, músicos que
aprendem a tocar instrumento musical por si só,
sem ter auxílio de alguém mais experiente. No
âmbito da percussão árabe, a situação não podia
ser diferente.
Autodidata é todo aquele que aprende algo por si,
sem o auxílio de um professor. Na música existem
vários autoditadas, ou seja, músicos que
aprendem a tocar instrumento musical por si só,
sem ter auxílio de alguém mais experiente. No
âmbito da percussão árabe, a situação não podia
ser diferente.
Em primeiro lugar, o estudante autoditada deve
estar atendo aos vícios de percussão, ou seja,
não fazer o "Dum"(batida grave) com o polegar ou
com a mão errada, apoiar o instrumento sobre as
duas pernas etc.
Superada essa primeira problemática, o
autodidata se deparará mais um segundo obstáculo
que, em opinião particular, é o mais complexo de
todos.
Como no Brasil o acesso à vídeos de orquestras
árabes é bastante difícil, muitos
percussionistas autodidatas estudam "ouvindo"
apenas solos de derbakke em cds e fitas de áudio.
Como não há uma orientação mais precisa, o
estudante tenta reproduzir no instrumento aquilo
que ouviu no cd sem se preocupar com a técnica
correta para a sua perfeita realização ( é
importante ressaltar que, muitas vezes, o
próprio enfeite gravado no cd é uma mera
simulação da técnica profissional).
O autodidata começa a criar simulações de
enfeites, execuções rítmicas, repiques etc, o
que acaba contaminando toda sua qualidade
técnica. Nenhum enfeite ou repique usado em um
solo de tabla é feito por acaso. Há sempre uma
técnica que está em consonância com a sua
dinâmica sonora. Mas por que isso é importante ?
Bem, eu posso passar dez, vinte anos realizando-
simulando- um determinado enfeite que ouvi em
uma música e, depois de todo esse tempo, ter de
aprender tudo novamente.
O importante termos em mente que nenhuma
simulação de enfeite soará bem e corretamente,
por mais parecida que possa ser ao enfeite
produzido na técnica correta.
O autoditada, portanto, deve estar atento a
todos esses pontos e buscar "todos" os meio
possíveis para se aperfeiçoar ( vídeos (antigos),
workshops, consultas, cd's etc ) prestando
atenção na dinâmica e nas nuanças empregadas.
Os encaixes rítmicos (Combinação rítmica) e o
compasso na percussão libanesa.
Muitas
pessoas possuem dificuldades de compreender os
rítmos árabes devido sua eminente complexidade.
Se observarmos cuidadosamente cada ritmo, vamos
observar que cada um possui um verdadeiro leque
de variantes.
Devemos ter consciência que além dessas
variações, existe a possibilidade de se inserir
no ritmo determinada improvisação. Logicamente
isso só deve ser feito se o percussionista tiver
boa familiarização com o ritmo que está
executando.
Outro dado de extrema importância que não posso
deixar de aludir, é o que se refere ao que chamo
de encaixe de ritmos, ou seja, quando se
executar um solo que possua vários ritmos, o
percussionista deve se preocupar com a
continuidade ritmica, com o encaixe de um ritmo
no outro. Isso se faz geralmente através da
tabla ou derbakke.
Esses encaixes rítmicos são feitos geralmente
através de uma improvisação do próprio
percussionista, e assim, o que antes era um solo
dividido em ritmos distintos, se torna um bela
melodia rítmica. Os encaixes rítmicos são
denominados também de combinações rítmicas.
Ao se executar um solo, deve-se evitar
permanecer em um único ritmo base por muito
tempo, principalmente se o solo está sendo
executado para apresentações de bailarinas. A
variação ritmica proporciona para quem dança a
possibilidade de mostrar seus conhecimentos e
habilidades na arte. Essa pluralidade
rítmica deverá ser reduzida nos casos de
apresentações de várias bailarinas em
apresentações coreografadas.
Deve-se evitar o abuso dos repiques ou enfeites.
Eles devem ser inseridos no momento certo. O
abuso nos repiques pode gerar certa confusão
rítmica para quem dança ou até mesmo para que
acompanha em outro instrumento de percussão.
Devemos tocar sempre com o sentimento.
Podemos assim enumerar os seguintes elementos
que um percussionista deve ter em mente:
a- Evitar a monotonia de um único ritmo (
duplicidade ou pluralidade ritmica)
b- Estabelecer o encaixe rítmico
c- Evitar abusos nos enfeites ou repiques
d- Deixar fluir os sentimentos nos solos
executados.
Compasso é a medida de tempo em uma música e em
casos de enfeites e paradas deve se prestar
atenção para não sair desse tempo. Se um
percussionista desejar realizar um solo sob
ritmos rápidos é só diminuir esse intervalo de
tempo, agora caso desejar ritmos lentos, aumente
esse intervalo.
Assim , em considerações finais, é fundamental
que cada percussionista deixe potencializar seu
estilo próprio. Alguns são simples e agressivos,
outro complexos. Descubra o seu estilo.
O Taqsim Tabla (solo livre) e a Arte da Dança do
Ventre.
O que cabe a um Percussionista explanar sobre
Dança do Ventre ? Bem, essa é uma questão
bastante complexapois
se de um lado ele não está apto a falar sobre
questões técnicas referentes a dança em si, do
outro é detentor e conhecedor do principal
subsídio que dará à Bailarina condições de se
apresentar em um show, qual seja, o ritmo e suas
variações. Há, portanto, um lado negativo e
positivo em questão.
A importância do conhecimento de um
percussionista para a Dança do Ventre remonta no
Brasil desde tempos passados. Na década dos anos
70, antes do início dos ensinamentos de
Shahrazad Sharkey, a arte técnica da Dança do
Ventre era totalmente desconhecida. As
vestimentas usadas na época eram improvisadas
pelas própria Bailarinas (a luxuosidade das
vestimentas para as apresentações de Dança do
Ventre hoje utilizadas no Brasil, seguem o
estilo Shahrazad). Na época, Fuad Haidamus, que
já ostentava o título de maior derbakista do
Brasil, fornecia algumas "dicas" para as
Bailarinas que iriam se apresentar, tentando com
seu conhecimento em percussão ajudar da melhor
maneira possível.
Mas quais dicas eram essas ? Em que Haidamus se
baseava para poder ajudar as Bailarinas da época
? Bem, para chegarmos a uma resposta viável, há
necessidade de um raciocínio lógico e mais
minucioso.
Sabemos que Taqsim Tabla é o ato de improvisar
na Derbakke (Tabla) sem uma percussão base (
falamos aqui do solo livre ). Não há regras para
a criação de um Taqsim Tabla, porém, há alguns
subsídios importantes dos quais o percussionista
deve respeitar.
É certo que o conhecido modelo usado no solo de
Tabla clássico (apresentado por Haidamus no
Brasil) usando floreados sempre em números
pares, ou seja, duas repetições e um corte, ou
quatro repetições e um corte é um método
reconhecidamente utilizado em larga escala por
músicos do mundo inteiro.
Muitas Bailarias consideram um grande desafio
dançar um Taqsim Tabla, uma vez que técnica de
dança e percepção rítmica se consubstanciam
intrinsecamente.
Há vários ensinamentos que, na tentativa de
amenizar ou, então, solucionar tal problemática,
analisam estruturas de solos, elencam os ritmos
mais usados etc.. . Digo que isso ajuda, mas,
muito pouco. É claro que não dá para se
descobrir precisamente o que se passa na
mentalidade do Percussionista que está atuando
no momento. Fuad Haidamus, quando praticamente "reinventou"
o Taqsim Tabla no Brasil, apresentou uma arte
que se resumia em dois elementos principais:
Raciocínio e técnica. No solo improvisado de
derbakke não existe reflexo ( Todo toque está
diretamente ligado a um raciocínio prévio do
músico ). No Brasil, a mesma técnica clássica
usada por Haidamus na década dos anos 70, é
copiada por quase todos os músicos da atualidade.
Pois bem, já devemos ter notado que a grande
maioria das Bailarias que dançam solos de Taqsim
Tabla, geralmente, se apresentam ao lado de um
mesmo músico percussionista ( fato que ocorre
mundialmente ). Ora, não é raro de se ver
Percussionistas e Bailarinas de Dança do Ventre
casarem - se e trabalharem juntos. Por que isso
ocorre ? Quando uma Bailarina dança uma
improvisação de solo de Tabla, ela precisa
necessariamente "perceber" de forma ágil o que o
Percussionista vai apresentar - jogar - na
seqüência de seu solo improvisado. Se o reflexo
é utilizado ou não na Dança do Ventre, essa é
uma resposta que foge totalmente de nossa alçada.
(O
músico percussionista ao realizar um solo de
Taqsim, trabalha mente e técnica, ou seja, ele
pensa e ao mesmo tempo age (toca). Quando um
percussionista erra uma seqüência, significa que
a sua técnica não está em sintonia com seu
raciocínio ou, então, vice-versa. É preciso,
assim, "treinar" melhor essa relação).
Improvisar na Derbakke não é tocar quatro ou
cinco tipos de ritmos em uma sequência
combinando-os. É "criar" enfeites e variações
tendo como subsídio esses ritmos.
Se uma Bailarina apresenta-se várias vezes ao
lado de um mesmo Percussionista, ela consegue
alargar essa percepção, uma vez que já conhece
"as manias" daquele específico músico, ou seja,
a forma que ele toca e quais floreados e
enfeites gosta exageradamente de usar ( daí a
expressão "mania" utilizada ). O reconhecimento,
nesses casos, se torna bem mais fácil e, por
conseqüência, mais rápido.
As manias percussivas ou rítmicas são, na
verdade, os elementos pelos quais o músico irá
gerar sua fórmula particular - estilo particular
- que, evidentemente, será utilizada na criação
de todos os seus solos, sejam eles improvisados
ou não.
Todos os enfeites por mais diversificados que
possam ser terão algo familiar, ou seja,
pertencerão a uma mesma fórmula, a uma única
técnica e estilo. É essa fórmula particular que
a Bailarina precisa conhecer e absorver.
Cada percussionista tem um gosto exagerado por
determinados enfeites e ritmos e , com absoluta
certeza, deixara fluir em todos os solos
improvisados. O ritmo mais preferido e usado
como subsídio nos solos de improvisação é,
evidentemente, o Maqsoum e suas demais
ramificações rítmicas.
A Bailarina precisa sempre ter em mente que
apesar da improvisação na Tabla ser
infinitamente livre, todo percussionista tem um
hábito, um costume, um gosto exageradamente
próprio (manias), e sempre, sempre irá colocá-lo
no topo central de sua improvisação.
É evidente que a improvisação "infinitamente
livre" deve ser realizada com um certo cuidado,
respeitando "sempre" o campo das variações
rítmicas exclusivamente árabes. Em opinião
particular, é um grande erro jogarmos um samba
no meio de um solo de derbakke. Condeno também
misturar outros ritmos como a Salsa, o Merengue,
Ritmos Flamencos (muito na moda ) etc.. . O solo
de Taqsim Tabla deve ser mantido na sua
tradicionalidade e originalidade rítmica.
Aqui cabe ainda uma outra importante questão. É
certo que desde a sua primeira apresentação (
Hammouda (Egito) e Haidamus (Brasil), o solo de
Tabla pouco evoluiu. Mas o que essa informação
tem de importante para uma Bailarina de Dança do
Ventre ? Bem, se o solo de tabla pouco evoluiu,
significa que a grande maioria dos
percussionistas árabes possuem uma certa
uniformidade técnica, o que muito facilita os
estudos tanto para bailarinas ( percepção
rítmica ), quanto para músicos iniciantes,
intermediários e avançados ( percepção e técnica
correta para executar tal ritmo ).
É importante dizer que essa uniformidade técnica
também pode ser compreendida ou interpretada
como a existência imperativa de fórmulas
parecidas. Geralmente, um músico pode ter
fórmula parecida, semelhante com a de outro na
construção de seus solos, mas, nunca essas
fórmulas serão iguais, idênticas. A técnica de
um artista pode ser parecida com a de a outro,
mas nunca igual ( Um escultor pode esculpir
semelhantemente, mas nunca igual ao grande
Michelangelo ).
Dessa maneira, uma Bailarina precisa
necessariamente conhecer e registrar as técnicas
mais comuns usadas pelos mais diversos mestres
de tabla, e, munidas dessas informações, tentar,
em um primeiro momento, perceber as manias do
músico com quem vai se apresentar.
Não pergunte o que ele vai apresentar, mas, sim,
do que ele mais gosta de apresentar ( rítmos,
variações, tipos de floreados etc.. ). Fuad
Haidamus dizia à Bailarina o que ele mais
gostava de tocar e nunca o que ele iria tocar,
pois, se assim fizesse, não haveria taqsim tabla,
uma vez que ocorreu uma quebra na liberdade da
improvisação.
É evidente que, para tanto, alguns ensaios
deverão ser realizados obrigatoriamente.
Lembremos ainda que quanto mais registro de
técnicas de percussão uma Bailarina tiver, mais
rápido e fácil será identificar fórmula usada
pelo músico, sempre, claro, pelo caminho mais
curto, que é através da percepção primária de
seus gostos mais comuns.
gostos, hábitos > fórmula - técnica - estilo >
solo criado
Lembre-se:
Manias percussivas ou rítmicas: Gosto
exageradamente particular que cada
percussionista tem em relação a um conjunto de
ritmos e floreados técnicos ( É o que ele acha
mais bonito ). Resultam no conjunto de elementos
pelos quais o músico criará seu método
particular - fórmula particular - pelo qual irá
desenvolver todos seus solos.
Fórmula, técnica e estilo: Métodos usados pelo
percussionista para criar seus solos.
Uniformidade técnica e estilo: Certa semelhança
no jeito de se executar solos de taksim Tabla.
Fórmulas
parecidas (imperatividade): Devido ao pouco
desenvolvimento da arte do Tabla Solo, os
métodos usados pelos músicos se tornaram
obrigatoriamente análogo
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