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"Conheça
os principais instrumentos que compõem a Percussão Libanesa
,suas especificações gerais e alguns artigos pertinentes...." |
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INTRÓITO AOS
ESTUDOS DOS INSTRUMENTOS DE PERCUSSÃO LIBANESA.
De fato, a percussão libanesa é considerada "irmã gêmea"
da percussão egípcia. A Civilização Fenícia, hoje local
onde se situa o território do Líbano, muito contribuiu na
divulgação de tal arte por toda a Bacia do Mediterrâneo,
pois historicamente, os fenícios absorveram várias
culturas dentre as quais estão a grega e a egípcia.
O que muitas vezes podemos perceber, é a alteração da
nomenclatura dos instrumentos e algumas diferenças quanto
a interpretação. Hoje, porém, com o advendo da
modernização dos instrumentos e da implementação dos solos
percussivos, músicos libanesses e egípcios apresentam em
seus solos características tecnicas e estilos muito
parecidas.
Graças ainda a pluralidade instrumental que envolve tal
arte, podemos facilmente, através das mais diversificadas
variações e combinações sonoras, obter sons dos mais
diversos timbres e nuances.
Com técnicas distintas, cada
instrumento possui finalidade específica e única dentro da
música, o que os tornam igualitariamente importantes.
Façamos, a seguir, uma breve viagem passando pelos
principais instrumentos tradicionais que compõem o rol da
percussão libanesa.
1 - A DERBAKKE
(Tabla ou Darabuka)
Considerado
o principal
instrumento da percussão libanesa no âmbito tradicional,
recebe inúmeras denominações no mundo árabe. Derbakke ou
Derback ( Líbano, Síria etc..), Tabla ( Egito ) Darbuka (
Turquia ), Tumberleke ( Grécia ) etc...
As Derbakkes
tradicionais são feitas em argila queimada ou madeira leve
revestidas por pele de peixe ou de cabrito. Sua versão
moderna ou contemporânea, possui corpo em alumínio com
revestimento de nylon; sua sonoridade é provida de grandes
méritos. Vitor Abud Hiar aprecia as Tablas em pele de
peixe ou carneiro. No Brasil, a primeira geração de
Derbakkes ou Tablas se deu nos anos 70 confeccionadas pelo
percussionista Fuad Haidamus (pai da percussão árabe no
Brasil ).
A partir dos
anos 80, com o advento da globalização, conheceu-se as
Derbakkes em alumínio fundido, muito bem recepcionadas
pelos músicos brasileiros e de todo o mundo.
É equívoca a
afirmação de que as Tablas em cerâmica são instrumentos
amadores. O surgimento da versão moderna serviu apenas
para suprir certas deficiências de sua versão tradicional,
tais como corpo mais resistente a impactos e pele com
afinação constante. Devido a grande procura popular pelas
derbakes de alumínio e pele artificial, a produção das
derbakkes tradicionais em pele de peixe dirimiu
significativamente. |
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2 -
O DAFF
(Pandeiro Tenor, Riqq,
Tamborim Árabe)
O
Daff, nome que recebe no Líbano, é um pequeno pandeiro feito
em anel de madeira e revestido em pele de peixe ou carneiro.
Possui cinco címbalos duplos, totalizando um conjunto de dez
címbalos que produzem grande sonoridade. Possui também sua
versão moderna em aro de metal e pele de nylon. No Egito,
recebe a denominação "Riq". Partindo da análise de sua
sonoridade, podemos chamá-lo de "pandeiro tenor" e a Mazhar,
que veremos mais adiante, de "pandeiro grave".
Há 3
formas de se tocar esse instrumento:
A- Utilizando
todos os címbalos.
B- Utilizando
parte dos címbalos.
C- Utilizando
apenas a membrana de couro.
Como bem enfatiza
Vitor Abud Hiar, o Daff tem como principal objetivo
ostentar o ritmo árabe. Na sua opinião, a versão
moderna do Daff não é vista com bons olhos, uma vez que esta
quebrou, de certa forma, a tradicionalidade e pureza sonora de
sua versão tradicional. No Brasil, o Daff somente passou a ser
conhecido pelo público em geral na metade dos anos 80. Esse
instrumento juntamente com Derbakke e os Snujs, foram os
primeiros instrumentos de percussão árabe a serem usados por
músicos no Brasil. Fuad Haidamus fora o primeiro
percussionsita a tocar Daff em shows neste país.
3 - A DOHOLLA
(Tabla Grave, Bass Tabla)
T rata-se de uma
Tabla semelhante a Derbakke, porém com dimensões
maiores e
sonoridade mais
grave.
Esse
instrumento, na forma tradicional, é feito em argila queimada
revestido de pele de peixe ou carneiro. Já
possui sua moderna versão em corpo de alumínio e revestimento
em nylon. Curiosamente, não existe um tamanho padrão para a
confecção da Doholla; o certo é que tal instrumento deve ter
uma circunferência bocal superior ( dois tempos acima ) que a
de uma Derbakke.
Existem, porém, instrumentos com circunferência até três
tempos acima que a de uma derbakke.
A
Doholla é comumente usada como percussão base tanto na
música egípcia quanto na libanesa. Apesar de rara até mesmo
nos países árabes, a Doholla de corpo de cerâmica em alta
qualidade e pele de cabra é a mais indicada para gravações,
pois possui sonoridade nitidamente superior. Já em shows ao
vivo, sua versão moderna torna-se a mais preferida, justamente
por manter-se sempre afinada independentemente das condições
climáticas.
Em opinião particular, Vitor Abud Hiar
considera a Doholla em cerâmica e pele de cabra ideal tanto
para gravações quanto para shows. Não é possível obtermos,
para Vitor Abud Hiar, um perfeito som aveludado nas Dohollas
em pele de poliéster. A pureza sonora na marcação
rítmica e o "Dum" bastante profundo mas sem exageros que a
pele natural proporciona, torna a Doholla tradicional um
instrumento cem por cento indispensável.
No Brasil a primeira Doholla fora
confeccionada por Fuad Haidamus em meados de 1984, em argila e
pele de cabra.
4 - O BENDIR
(Mazhar, Muzhar,
Massar, Tar, Daff ou Duff)
Trata-se de um pandeiro típico utilizado pelos beduínos (
habitantes do deserto ) no acompanhamento de suas canções
folclóricas. Possui várias dimensões e sua sonoridade varia do
grave ao agudo. Seu corpo, tradicionalmente, é feito em anel
de madeira revestido geralmente em pele de cabrito.
Devido sua pluralidade dimensional, o músico
percussionista deve sempre possuir um jogo de três pandeiros
com tamanhos e, por consequência, sons diferentes, ou seja, de
circunferência pequena, média e grande.
Os
egípcios o conhecem pelo nome de
"Daff" ou "Duff".
É um
instrumento não possui címbalos em seu anel. Recentes
pesquisas mostram que já existe a versão moderna desse
instrumento, confeccionada em anel de madeira ou plástico
resistente e pele em poliéster (nylon) leitosa.
Apesar de sua versão modernizada ter chegado a
bons níveis de comercialização, o Bendir tradicional em pele
de cabra de altíssima qualidade possui ressonância (vibração
energética sonora) infinitamente superior, sendo, sem dúvida
alguma, o mais indicado para gravações e apresentações ao
vivo. É um importante instrumento de base na percussão
libanesa.
5 - A
MAZHAR (Bendir
de címbalos, Daff ou Duff de címbalos)
Largo pandeiro de sonoridade grave podendo ou não possuir
címbalos, dependendo de sua versão. Muitos consideram esse
instrumento um Bendir com címbalos ou um Daff de címbalos. Na
percussão libanesa, é usado como principal instrumento base da
execução rítmica, sendo tocado comumente entre as pernas do
músico ou na forma tradicional, empunhando-o em uma das mãos
(principalmente no caso da versão com címbalos).
Historicamente acredita-se que o Bendir ou
Daff de címbalos tenha sido um desdobramento de sua versão
inicial. Não há o que se falar em forma modernizada, nesse
caso.
A Mazhar é feita em anel de madeira e pele
grossa de cabra ou gazela (animal, este, não mais utilizado
nos tempos atuais) . Possui um jogo de 5 címbalos duplos de
bronze com diametro superior aos címbalos de Daff libanês.
Possui forte sonoridade.
Muitos caracterizam seu corpo como um "pandeiro de dois
andares", justamente por possuir uma profundidade
acentuada, dando a impressão de que é formado por dois
pandeiros um em cima do outro. O diâmetro bocal desse
instrumento é duas vezes maior que o diâmetro de um Daff. Sua
versão modernizada apresenta revestimento em nylon e anel
metálico ou madeira. Vitor Abud Hiar aprecia a versão em pele
de cabra ou gazela.
A Mazhar é tocada
tanto no Líbano, Egito bem como em todos os outros países da
comunidade árabe.
No Brasil sua utilização ainda é bastante remota.
6 - DAFF, DUFF OU MAZHAR
(Bendir)
Esse instrumento possui as mesmas
características do instrumento analisado anteriormente, porém,
não possui címbalos em seu anel, o que o torna mais leve e
fácil de manusear. O diâmetro de sua abertura bocal é
exatamente o mesmo da versão com címbalos confeccionada no
Egito.
É feito em anel fino de madeira bastante leve
e sua pele pode ser trocada com muita facilidade devido a um
conjunto de seis parafusos embutidos (versão moderna). É
excelente na execução base de ritmos rápidos, como , por
exemplo, o fallahi e o malfuf.
Pode receber várias denominações no mundo
árabe. No Egito é conhecido pelo nome Daff ou Duff, no Lìbano
e Síria recebe a denominação Mazhar. A versão com parafusos
embutidos e sem címbalos é de procedência sírio-libanesa.
7 -
OS SNUJS
(Sagat,
Címbalos para os dedos)
I mortalizados
no Brasil pelas mãos de Shahrazad em suas apresentações de
Dança do Ventre, esses pequeno címbalos de mão podem ser
considerados um dos primeiros instrumentos de percussão da
humanidade. Segundo estudos, foi inicialmente utilizado por
sacerdotisas do antigo Egito.
Formam um conjunto de címbalos metálicos presos no polegar e
dedo médio de ambas as mãos. Quando tocados, dão vida e
alegria ao ritmo que está sendo executado. Na percussão
egípcia, esse instrumento é conhecido como Sagat. Segundo bem
explica Vitor Hiar, os Snujs acompanham a percussão, e é por
isso que deve ser visto como um instrumento pessoal, ou seja,
do particular ( geralmente de uma bailarina ou de um
espectador que, ao tocá-lo, demonstra seu entusiamo ante ao
ritmo executado). No Brasil, Shahrazad é a grande mestra no
toque dos Snujs.
8 -
O BONGÔ
(bongos)
Conhecido como o principal instrumento de percussão de ritmos
como o Mambo, Bolero, Rumba e demais ritmos caribenhos, este
instrumento já faz parte da percussão árabe há algum tempo.
Por possuir um som agudo e seco, é utilizado nas orquestras
árabes como marcador de ritmo. Existem Bongos confeccionados
em madeira ( tradicional ), alumínio e cerâmica.
A
versão tradicional, em pele de cabra e corpo de madeira, ainda
é a mais utilizada mundialmente. Segundo estudiosos, esse
instrumento tem sua origem no continente africano. No Brasil,
é chamado de Bongô, ( forma aportuguesada, conforme consta nos
dicionários modernos da língua portuguesa ). Em Cuba e demais
países caribenhos, recebe denominação sempre no plural, ou
seja, "Los Bongos" ( "bongo" é o nome individual de cada um
dos dois pequenos tambores interligados )
9 e 10
- OS ATABAQUES E A BATERIA
Com
a modernização dos conjuntos árabes, a Bateria e os Atabaques
foram incluídos no rol da percussão árabe atual. Acredita-se
que os Atabaques tenham origem árabe, mas ainda há grande
controvérsia sobre tal assunto.
11 - A TABL
BALADI
A
Tabl muito se assemelha a Zabumba nordestina. É
freqüente sua utilização em grandes festivais, principalmente
na execução do ritmo Saaid. A chamam de "baladi" porque é o instrumento
comum tocado nas vilas, nas aldeias árabes principalmente em
dias de festas.
TÉCNICAS E ESTILOS
Como dissemos logo na introdução, cada
instrumento que compõe o rol da percussão libanesa possui uma
técnica especifica para ser executado. Cabe ao percussionista,
por sua vez, desenvolver seu próprio estilo baseando-se nos
conhecimentos que adquiriu ao longo dos anos de aprendizado.
Técnica e estilo são elementos
completamente distintos, porém, um deve completar o outro por
excelência. Técnica é a maneira, o jeito, a habilidade
material utilizada pelo percussionista para executar as notas
(batidas) que formarão os ritmos e os solos percussivos. Já o
estilo, por sua vez, é a forma como o percussionista expõe sua
técnica, sua habilidade. É no estilo que encontramos a arte da
interpretação e da expressividade musical. Um percussionista
pode perfeitamente ter técnica e nao possuir um estilo ainda
definido.
Fuad Haidamus foi o primeiro percussionista
árabe a trazer para o Brasil a técnica correta para se
executar esses instrumentos.
TIMBRES
SONOROS
Há muitas
informações controvertidas sobre esse tema. Muitos afirmam que
há uma repetição do timbre sonoro em vários instrumentos que
formam a percussão base libanesa, sendo que, basta ter um ou
outro instrumento para se obter o mesmo som. Essa informação é
equivocada, pois nenhum instrumento possui o "mesmo" timbre
sonoro. Cada um deles, quando tocados pela técnica correta,
apresentam uma sonoridade particular e são indispensáveis na música
árabe percussiva.
Artigos relacionados
As peles artificiais - importância e utilização
Desde a sua invenção, as peles artificiais vem ganhando espaço
na percussão mundial. Seria correto afirmar que as peles
artificiais são melhores que as de origem animal ? Bem, seria
errôneo negarmos sua importante função na percussão mas, de
longe, não são melhores que as peles naturais ( peixe ou cabra
).
As peles em nylon
surgiram ante a uma necessidade que afligia primeiramente a
percussão marcial (militar) e, posteriormente, a percussão das
escolas de samba. Todos sabemos que tanto esta quanto aquela
possuem como característica as apresentações ao ar livre. Ora,
em um dia chuvoso por exemplo, seria praticamente impossível
realizar tais eventos, uma vez que a pele animal quando
molhada se torna tão flexível quanto um pedaço de pano
qualquer.
Dessa maneira, a idéia foi criar uma membrana que se
aproximasse da pele animal em qualidade e que fosse ao mesmo
tempo imune à água.
Começaram então a confeccionar peles em nylon (poliéster).
Bem, ocorre que a
pele artificial apesar de ter uma qualidade parecida - eu
diria satisfatória - em relação as peles naturais, possuem uma
pequena distorção na sua vibração (vibração artificial).
Assim, quando utilizamos instrumentos munidos somente com
essas peles, a percussão fica consideravelmente pesada e
barulhenta (agudos acentuados ao extremo )
Uma
medida bastante eficaz utilizada por vários mestres de
percussão, é mesclar alguns instrumentos em pele natural junto
aos de pele artificial, o que ajudaria "quebrar" essa
artificialidade sonora.
Na
percussão libanesa a situação não é diferente. Se usamos um
Derbakke e um Daff em pele de nylon, devemos utilizar a
Mazhar, Bendir ou Doholla em pele natural. É uma dica bastante
importante para aqueles que realmente valorizam uma melhor
qualidade sonora à sua percussão.
As peles artificiais - tipos e utilização
Existem no mercado
grande variedade de peles em poliéster, que se apresentam no
tipo transparente, leitosa (branca), porosa (semelhante à pele
animal) etc.. A pergunta que geralmente me fazem, é qual a
melhor pele em nylon para ser utilizada.
Bem,
tudo dependerá basicamente de dois fatores importantes: o tipo
de instrumento e a afinação que será aplicada.
A
título de exemplo, um "Surdo" possui afinação diversificada
que a de um "Tamborim", logo, suas peles em poliéster também
deverão ser diferentes, compatíveis com a afinação então
empregada para que, assim, possamos obter um perfeito
desempenho sonoro.
A
afinação na percussão varia da seguinte maneira: alta, média e
baixa. Existem peles que não suportam a afinação alta (não
funcionam bem nesta afinação), que é a utilizada no derbakke e
daff, por exemplo. Na Mazhar e Doholah, a afinação geralmente
empregada é a média. Na Tabl, a afinação deve ser baixa,
apesar de desconhecermos qualquer versão modernizada desse
instrumento.
Afinação alta: própria para instrumentos de
repique.
Afinação Média ou Baixa: Para instrumentos
de base.
Elementos Sônicos na percussão libanesa
Primeiramente
devemos definir o que realmente é um músico. No dicionário de
Aurélio Buarque de Holanda, encontramos uma belíssima
definição do que realmente seja um músico. Segundo Aurélio,
"músico é todo aquele que professa a arte da música, compondo
peças, tocando e / ou cantando".
Notemos que além de saber tocar determinado instrumento, o
músico precisa obrigatoriamente conhecer minuciosamente seus
elementos sônicos. Isso significa que cabe ao músico saber se,
em uma microfonação num show e / ou gravação, a sonoridade de
seu instrumento esta sendo captada de maneira correta e
natural. Neste ponto a expressão "tabla sônica" por mim
utilizada encaixa-se precisamente.
O
timbre de um derbakke é algo incomum e individual. Não há
nenhum outro instrumento de percussão que soe de forma igual.
Para quem nunca ouviu seu som, é muito difícil estabelecer uma
equalização precisa e correta.
Muitos desconhecem o significado da palavra "equalizar".
Equalizar é igualar, uniformizar, ou seja, tornar o timbre
captado igual ao timbre produzido.
Assim, quando dizemos que um derbakke ou um daff não está bem
equalizado, estamos afirmando que a sua sonoridade na captação
ou gravação não está igual à sua sonoridade real, verdadeira.
É
claro que cada um "enxerga" o som de maneira distinta, e, por
essa razão, o interpreta da forma que desejar. É preciso
sempre estar de ouvidos atentos e deixar fluir nossa percepção
musical
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